A transição do vazio assustador para a plenitude da própria companhia.
Caro Leitor;
Existe um abismo semântico e existencial que separa a solidão da solitude. Enquanto a primeira é a dor da ausência do outro, a segunda é a glória da presença de si mesmo. No entanto, o verdadeiro marco de maturidade não ocorre quando se visita a solitude esporadicamente, mas quando ela é internalizada.
Quando a solitude deixa de ser um estado passageiro e se torna a estrutura óssea da psique, a dinâmica da vida se altera profundamente.
Ao internalizar a solitude, o indivíduo rompe com a dependência crônica de validação externa. O silêncio, antes temido como um eco de abandono, passa a ser percebido como um espaço fértil de criação e reequilíbrio. Nesse estágio, a busca desesperada por preencher lacunas com ruídos, relacionamentos rasos ou distrações efêmeras cessa. Descobre-se que a própria companhia não é um "plano B" para uma noite de sábado, mas a companhia mais leal e constante que se pode ter.
O paradoxo da solitude internalizada é que ela não isola; ela qualifica. Quem aprende a ser pleno sozinho, desaprende a aceitar qualquer coisa apenas para não ficar só. As relações deixam de ser pautadas pela Necessidade ("eu preciso de você para não me sentir vazio") e passam a ser pautadas pela Escolha ("eu sou inteiro, mas escolho transbordar com você"). A porta de entrada da vida torna-se mais seletiva. O outro deixa de ser um salvador ou um tapa-buraco e assume seu real papel: um convidado ilustre na casa de alguém que já está feliz habitando a si mesmo.
Internalizar a solitude é construir um santuário portátil. Não importa o caos externo, as oscilações do mercado ou as decepções mundanas; existe um lugar de paz inabalável para onde se pode voltar a qualquer momento. É a compreensão definitiva de que a felicidade não é algo que se importa de fora para dentro, mas uma substância que se cultiva no solo da própria alma. Quando a solitude é internalizada, o medo de perder o outro desaparece, pois se sabe que a única pessoa que não se pode perder, jamais, é a si mesmo. A Paz deve ser Inegociável
Em seus momentos de silêncio, você sente o desespero de quem foi abandonado ou a paz de quem finalmente se encontrou? A sua casa interna é um lugar onde você gosta de estar?
Até breve...
J.L.I Soáres