quarta-feira, 11 de setembro de 2024

NÃO CULPE A NOITE PELA BELEZA DAS ESTRELAS

Por que perdemos grandes verdades apenas porque não gostamos de quem as diz?

Existe um boicote silencioso que fazemos contra a nossa própria expansão de consciência. É uma armadilha sutil do ego que nos convence de que só podemos aprender com quem admiramos, com quem concordamos ou com quem "vai com a nossa cara".

Chamamos isso de coerência, mas muitas vezes é apenas teimosia.

Quantas vezes você já tapou os ouvidos para uma verdade transformadora simplesmente porque a embalagem não lhe agradava? Quantas vezes descartou um conhecimento vital porque a fonte colidia com as suas crenças ou porque o portador da mensagem não era o "santo" que você idealizava?

Imagine alguém que professa um ódio mortal pela noite. Talvez tenha medo do escuro, talvez não goste do frio ou simplesmente prefira a segurança da luz solar. Por causa dessa aversão, essa pessoa decide fechar as cortinas assim que o sol se põe.

O problema é que, ao fechar a janela para a noite, ela também fecha a janela para as estrelas.

Lá fora, o firmamento está oferecendo um banquete. Há constelações contando histórias milenares, planetas dançando em órbitas perfeitas e uma galáxia inteira brilhando como um rio de diamantes. Mas o nosso observador, preso ao seu preconceito contra a escuridão, perde o espetáculo. Ele se recusa a ver a beleza do brilho só porque não gosta do palco escuro onde ele se apresenta.

Fazemos exatamente isso na vida prática. Deixamos de ouvir uma reflexão pertinente só porque veio de um político de quem discordamos. Ignoramos uma estratégia inteligente só porque foi dita por um colega de trabalho arrogante. Mudamos de canal no meio de uma notícia crucial só porque não suportamos a voz do apresentador. Separemos a letra da melodia!

Isso é infantilidade intelectual.

A sabedoria real exige a capacidade de separar a mensagem do mensageiro. Exige a humildade de garimpar ouro na lama e de reconhecer que uma flor pode, sim, nascer no asfalto. A verdade é um valor em si mesma e ela não perde a validade só porque saiu de uma boca que não beijamos.

O convite de hoje é para que você abra as cortinas. Você não precisa amar a noite, não precisa gostar do frio e nem convidar a escuridão para entrar na sua casa. Mas não cometa a tolice de perder o brilho das estrelas só por birra com o céu.

Qual foi a última vez que você aprendeu algo valioso com alguém que você detesta? Se a resposta for 'nunca', talvez você esteja fechando as cortinas para muitas estrelas.


Até Breve.

J.L.I Soáres

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domingo, 8 de setembro de 2024

QUANDO DECIDI DESCONFIAR, TIVE MILHARES DE RAZÕES PARA ACREDITAR

Caro leitor; 

Existe um cansaço sagrado que poucos admitem: a exaustão de tentar manter a fé de pé na base da força bruta. Durante anos, segurei o céu com as mãos, repetindo mantras, fazendo rituais e negociando com o Divino, com medo de que, se eu soltasse, Deus deixaria de existir ou de olhar por mim.

Até que, um dia, os braços cansaram. Em um ato de honestidade brutal, ou talvez de rebeldia espiritual, decidi soltar. Olhei para o teto (ou para o céu vazio) e pensei: "Se existe algo aí em cima, a partir de agora é por conta própria. Eu me demito do cargo de fiscal da providência. Eu me permito duvidar."

Foi nesse momento, quando flertei com o abismo do ceticismo, que a grande ironia cósmica aconteceu.

Parece que o Universo (ou Deus, ou a Consciência Maior) tem um senso de humor peculiar. No instante em que parei de gritar minhas preces e me calei na minha desconfiança, comecei a ouvir. É como se, ao retirar a tensão da "obrigação de crer", eu tivesse finalmente aberto a porta para o "Flow". De repente, sem que eu pedisse, as respostas começaram a cair no meu colo. As sincronicidades ficaram tão óbvias que parecia que uma Mente Superior estava fazendo de propósito, piscando para mim e dizendo: "Achou que estava sozinha só porque parou de falar comigo, é?"

É...O Universo Adora um Desafio

Ao soltar o controle, saí da frequência da Ansiedade (que bloqueia) e entrei na frequência da Receptividade (que permite). A dúvida, paradoxalmente, foi o canal mais limpo que já tive com o sagrado.

As Três Estações da Consciência

Da janela do meu olhar, entendi que transitei por três estágios distintos, e é fundamental diferenciá-los para não confundirmos liberdade com vazio:

  1. O Ateísmo (A Negação): É o estágio do "não". É quando olhamos para a dor do mundo ou para o nosso próprio silêncio e concluímos racionalmente que estamos sós na imensidão. É uma fase válida, pois quebra as ilusões infantis de um "Deus Papai Noel". Eu passei por aqui quando soltei a corda.

  2. A Fé (A Esperança): É o estágio onde a maioria vive. É acreditar sem ver. É segurar-se no dogma ou na promessa de um livro sagrado. É bonito, mas muitas vezes é frágil, pois depende de esforço constante para não desmoronar diante da realidade.

  3. O Gnosticismo (O Conhecimento/Experiência): É aqui que a mágica acontece. O termo "Gnose" vem de conhecimento. O gnóstico não "tem fé" de que o fogo queima; ele sabe porque já colocou a mão. Quando decidi desconfiar e o Universo me respondeu com fatos, eu saí do campo da Fé e entrei no campo da Gnose. Eu não preciso mais fazer força para acreditar em uma Inteligência Superior, porque eu a vi atuar nos detalhes. Eu não creio; eu sei.

Decidir desconfiar foi a minha maior prova de fé. Foi o momento em que disse: "Se Você é real, Você se sustenta sem a minha ajuda". E Ele se sustentou. Hoje, tenho milhares de razões para acreditar, não porque li em algum lugar, mas porque, ao me permitir o vazio, fui preenchida por uma presença que dispensa apresentações.

Às vezes, é preciso virar ateu por um fim de semana para descobrir, na segunda-feira, que Deus estava apenas esperando você calar a boca para te dar bom dia.

A sua fé hoje é baseada no medo de não acreditar (dogma) ou na certeza tranquila de quem já sentiu a resposta na própria pele (experiência)? Você tem coragem de soltar para ver se Deus fica?

Até Breve...

J.L.I Soáres

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