Por que perdemos grandes verdades apenas porque não gostamos de quem as diz?
Existe um boicote silencioso que fazemos contra a nossa própria expansão de consciência. É uma armadilha sutil do ego que nos convence de que só podemos aprender com quem admiramos, com quem concordamos ou com quem "vai com a nossa cara".
Chamamos isso de coerência, mas muitas vezes é apenas teimosia.
Quantas vezes você já tapou os ouvidos para uma verdade transformadora simplesmente porque a embalagem não lhe agradava? Quantas vezes descartou um conhecimento vital porque a fonte colidia com as suas crenças ou porque o portador da mensagem não era o "santo" que você idealizava?
Imagine alguém que professa um ódio mortal pela noite. Talvez tenha medo do escuro, talvez não goste do frio ou simplesmente prefira a segurança da luz solar. Por causa dessa aversão, essa pessoa decide fechar as cortinas assim que o sol se põe.
O problema é que, ao fechar a janela para a noite, ela também fecha a janela para as estrelas.
Lá fora, o firmamento está oferecendo um banquete. Há constelações contando histórias milenares, planetas dançando em órbitas perfeitas e uma galáxia inteira brilhando como um rio de diamantes. Mas o nosso observador, preso ao seu preconceito contra a escuridão, perde o espetáculo. Ele se recusa a ver a beleza do brilho só porque não gosta do palco escuro onde ele se apresenta.
Fazemos exatamente isso na vida prática. Deixamos de ouvir uma reflexão pertinente só porque veio de um político de quem discordamos. Ignoramos uma estratégia inteligente só porque foi dita por um colega de trabalho arrogante. Mudamos de canal no meio de uma notícia crucial só porque não suportamos a voz do apresentador. Separemos a letra da melodia!
Isso é infantilidade intelectual.
A sabedoria real exige a capacidade de separar a mensagem do mensageiro. Exige a humildade de garimpar ouro na lama e de reconhecer que uma flor pode, sim, nascer no asfalto. A verdade é um valor em si mesma e ela não perde a validade só porque saiu de uma boca que não beijamos.
O convite de hoje é para que você abra as cortinas. Você não precisa amar a noite, não precisa gostar do frio e nem convidar a escuridão para entrar na sua casa. Mas não cometa a tolice de perder o brilho das estrelas só por birra com o céu.
Qual foi a última vez que você aprendeu algo valioso com alguém que você detesta? Se a resposta for 'nunca', talvez você esteja fechando as cortinas para muitas estrelas.
Até Breve.
J.L.I Soáres
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