Caro leitor;
Existe um cansaço sagrado que poucos admitem: a exaustão de tentar manter a fé de pé na base da força bruta. Durante anos, segurei o céu com as mãos, repetindo mantras, fazendo rituais e negociando com o Divino, com medo de que, se eu soltasse, Deus deixaria de existir ou de olhar por mim.
Até que, um dia, os braços cansaram. Em um ato de honestidade brutal, ou talvez de rebeldia espiritual, decidi soltar. Olhei para o teto (ou para o céu vazio) e pensei: "Se existe algo aí em cima, a partir de agora é por conta própria. Eu me demito do cargo de fiscal da providência. Eu me permito duvidar."
Foi nesse momento, quando flertei com o abismo do ceticismo, que a grande ironia cósmica aconteceu.
Parece que o Universo (ou Deus, ou a Consciência Maior) tem um senso de humor peculiar. No instante em que parei de gritar minhas preces e me calei na minha desconfiança, comecei a ouvir. É como se, ao retirar a tensão da "obrigação de crer", eu tivesse finalmente aberto a porta para o "Flow". De repente, sem que eu pedisse, as respostas começaram a cair no meu colo. As sincronicidades ficaram tão óbvias que parecia que uma Mente Superior estava fazendo de propósito, piscando para mim e dizendo: "Achou que estava sozinha só porque parou de falar comigo, é?"
Ao soltar o controle, saí da frequência da Ansiedade (que bloqueia) e entrei na frequência da Receptividade (que permite). A dúvida, paradoxalmente, foi o canal mais limpo que já tive com o sagrado.
As Três Estações da Consciência
Da janela do meu olhar, entendi que transitei por três estágios distintos, e é fundamental diferenciá-los para não confundirmos liberdade com vazio:
O Ateísmo (A Negação): É o estágio do "não". É quando olhamos para a dor do mundo ou para o nosso próprio silêncio e concluímos racionalmente que estamos sós na imensidão. É uma fase válida, pois quebra as ilusões infantis de um "Deus Papai Noel". Eu passei por aqui quando soltei a corda.
A Fé (A Esperança): É o estágio onde a maioria vive. É acreditar sem ver. É segurar-se no dogma ou na promessa de um livro sagrado. É bonito, mas muitas vezes é frágil, pois depende de esforço constante para não desmoronar diante da realidade.
O Gnosticismo (O Conhecimento/Experiência): É aqui que a mágica acontece. O termo "Gnose" vem de conhecimento. O gnóstico não "tem fé" de que o fogo queima; ele sabe porque já colocou a mão. Quando decidi desconfiar e o Universo me respondeu com fatos, eu saí do campo da Fé e entrei no campo da Gnose. Eu não preciso mais fazer força para acreditar em uma Inteligência Superior, porque eu a vi atuar nos detalhes. Eu não creio; eu sei.
Decidir desconfiar foi a minha maior prova de fé. Foi o momento em que disse: "Se Você é real, Você se sustenta sem a minha ajuda". E Ele se sustentou. Hoje, tenho milhares de razões para acreditar, não porque li em algum lugar, mas porque, ao me permitir o vazio, fui preenchida por uma presença que dispensa apresentações.
Às vezes, é preciso virar ateu por um fim de semana para descobrir, na segunda-feira, que Deus estava apenas esperando você calar a boca para te dar bom dia.
A sua fé hoje é baseada no medo de não acreditar (dogma) ou na certeza tranquila de quem já sentiu a resposta na própria pele (experiência)? Você tem coragem de soltar para ver se Deus fica?
Até Breve...
J.L.I Soáres
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