Quando a Inocência é a Pior Ameaça
Existe um arquétipo perigoso no mundo corporativo, especialmente no universo canibal das vendas: a "Gazela Feliz". Eu já vesti essa pele. É aquela pessoa que transita pelos corredores com uma leveza que irrita, uma ingenuidade que parece burrice aos olhos dos predadores, mas que, no fundo, é apenas uma desconexão com a malícia alheia.
Recordo-me de um lançamento imobiliário específico. O ambiente era denso, o ar pesava nos pulmões. Eu caminhava pelo estande sorrindo, trabalhando, enquanto sentia olhares atravessados queimando minhas costas. Havia um burburinho, uma suposição coletiva de que eu estava sendo "beneficiada", de que eu era a protegida, a carta marcada do baralho.
Mal sabiam eles a ironia crua da realidade. Enquanto me imaginavam nadando em privilégios, eu voltava para casa debaixo de chuva e frio, com exatos dois reais no bolso. Sem dinheiro para o Uber, sem dinheiro para o metrô, apenas com a dignidade molhada e a alma cansada.
O que eu não enxergava, porque a gazela não entende a lógica do lobo, é que eu estava sendo preparada como um bode expiatório. Havia uma trama, um jogo de xadrez viciado sendo orquestrado por gestores e colegas, e eu era a peça sacrificável, o rosto bonito para encobrir a sujeira dos bastidores.
Mas, "Da janela do meu olhar", aprendi que quando a lógica humana falha e a justiça dos homens parece cega, resta apelar para a Lei Maior.
Sentindo o peso daquela energia, busquei refúgio no único lugar que me restava: a fé. Entrei em uma paróquia, dobrei os joelhos e pedi clareza. E a resposta veio de forma inusitada, quase transgressora para a dogmática tradicional. Recebi uma instrução, uma intuição fulminante para realizar um ato simbólico, uma "oferenda" de entrega, algo que desafiava a razão, mas acalmava o espírito.
Não questionei. Fiz.
O que aconteceu na sequência não foi obra minha, nem de estratégia humana. Foi a física da verdade agindo sobre a pressão da mentira. Na mesma semana, a trama explodiu. O que estava escondido sob o tapete foi escancarado. Houve escândalo, houve correria para colocar "panos quentes", e as máscaras de quem realmente estava operando a maldade caíram no chão, com estrondo.
Eu, a suposta beneficiada de dois reais, assisti a tudo intacta. Aprendi ali que, às vezes, a inocência, quando guiada por uma intuição afiada, é o escudo mais perigoso que existe. Os lobos se devoraram sozinhos, engasgados com a própria ganância. E a gazela? Bem, a gazela continuou caminhando, ainda na chuva, mas agora sabendo que, mesmo sem dinheiro no bolso, andava com a guarda-costas mais cara do mundo: a Consciência Limpa.
E "Da janela do seu olhar?"
Você já sentiu que estava sendo mal interpretado ou invejado justamente no momento em que estava mais vulnerável?
Já teve a experiência de ver uma situação injusta se resolver "sozinha" após uma entrega espiritual genuína?
Às vezes, o melhor ataque é, de fato, entregar para quem pode mais.
Até breve...
J.L.I Soáres
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