Sincronicidade Junguiana e o Decreto Inconsciente: O "Laboratório" Antes da Conquista
Carl Jung dizia que "até que você torne o inconsciente consciente, ele dirigirá a sua vida e você o chamará de destino". Mas há momentos em que o inconsciente não apenas dirige; ele decreta. Ele grita. E o universo, operando por meio daquilo que chamamos de Sincronicidade, trata de arranjar os móveis da realidade para que o cenário combine com o decreto.
No texto anterior, relatei o momento de fúria e promessa na Avenida Paulista, quando, diante da injustiça, decretei que aquele território seria meu. O que eu não sabia, "Da janela do meu olhar", é que entre o decreto e a materialização existe um tempo de preparo. Existe o que chamo hoje de "O Laboratório".
Logo após sair daquele ambiente tóxico onde tentaram me sabotar, a vida não me entregou imediatamente a minha empresa pronta. Ela me entregou uma oportunidade disfarçada de acaso.
Fui atender um cliente. A princípio, parecia apenas mais um atendimento rotineiro. Mas, na dança das coincidências significativas, aquela pessoa não era apenas um cliente interessado em imóveis; ele era proprietário de uma imobiliária que estava, por assim dizer, estagnada. Ele tinha a estrutura, mas precisava de alguém com a tração, a visão e a fome de fazer o negócio andar.
Foi ali que a sincronicidade operou. Eu precisava aprender a ser "dona" antes de ter o meu nome no contrato social. Eu precisava errar com o CNPJ alheio (com responsabilidade, claro, mas sem o risco mortal do empreendedor iniciante) para acertar no meu.
Aquele período foi o meu MBA prático. Foi o meu laboratório. Assumi a frente daquela empresa como se fosse minha, aprendendo as dores da gestão, as nuances da burocracia e a solidão da liderança. O universo, em sua sabedoria pedagógica, disse:
"Você quer a Paulista? Ótimo. Mas antes, treine aqui. Afie suas garras neste simulador de voo antes de pegar o caça de verdade."
"Da janela do meu olhar", percebo hoje que nada foi aleatório. Se eu tivesse aberto minha empresa no dia seguinte ao meu grito de raiva, talvez tivesse falhado por inexperiência. Aquele cliente surgiu não apenas para me dar um emprego, mas para me dar a chave do aprendizado.
Um tempo depois, quando finalmente inaugurei a minha própria imobiliária na Paulista, eu não era mais apenas uma corretora com raiva; eu era uma gestora testada em laboratório. O decreto inconsciente se cumpriu, mas não no meu tempo cronológico (Chronos), e sim no tempo oportuno (Kairos).
A vida, às vezes, não nos nega o pedido. Ela apenas nos manda para o estágio obrigatório antes da posse.
E "Da janela do seu olhar?"
Você consegue identificar, em sua trajetória, momentos que pareciam apenas "trabalho duro", mas que, na verdade, eram "laboratórios" te preparando para algo maior?
Você já percebeu como a vida, às vezes, usa pessoas inesperadas (como um cliente) para serem os mentores do seu próximo passo?
Até breve...
J.L.I Soáres
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