A arquitetura da alma que não desmorona quando o mundo treme.
Passamos a primeira metade da vida buscando apoios. Como heras, tentamos nos enrolar em estruturas externas para subir em direção ao sol. Apoiamos nossa identidade no cargo que ocupamos, na pessoa que amamos, na beleza que ostentamos ou na conta bancária que construímos. Acreditamos que, se essas colunas forem fortes, nós também seremos.
Ledo engano. A grande tragédia humana, e também sua maior oportunidade de despertar, acontece quando uma dessas colunas racha. O divórcio, a demissão, o luto, a crise. Nesse momento, o chão desaparece. E desaparece porque, na verdade, ele nunca foi nosso. Estávamos pisando em terreno alheio.
Da janela do meu olhar, percebo que a maturidade real não é ter "tudo resolvido" fora, mas ter tudo fundamentado dentro. Encontrar em si o próprio fundamento é um ato de engenharia psíquica. É deslocar o centro de gravidade da sua vida, que antes estava no marido, no chefe ou na opinião pública, para o centro do seu próprio peito.
Carl Jung dizia que "a experiência mais decisiva é estar sozinho consigo mesmo... pois somente essa experiência pode nos dar um fundamento indestrutível." Por que indestrutível? Porque o que nasce de dentro não pode ser tirado de fora.
Se a sua segurança vem da sua competência, e não do elogio do chefe, a crítica não te destrói.
Se o seu amor-próprio vem da sua honra, e não da validação do parceiro, o vácuo não te aniquila.
Claro, ser seu próprio fundamento tem um preço alto: a Autorresponsabilidade Radical. Não há mais a quem culpar. Se a casa cair, foi você quem desenhou a planta. Não dá mais para dizer "eu sou infeliz porque ele me deixou" ou "eu sou fracassada porque o sistema é injusto". Quando você é o fundamento, você é também o responsável pela reforma.
Isso assusta? Sim. Mas liberta na mesma proporção. A pessoa que encontrou em si o próprio fundamento caminha pelo mundo com uma elegância diferente. Ela não pede licença para existir. Ela não mendiga afeto. Ela compartilha o caminho, mas não transfere o peso da mochila. Ela se torna, finalmente, uma Coluna Mestra no templo da própria vida, capaz de sustentar não apenas a si mesma, mas de oferecer sombra a quem tiver o privilégio de caminhar ao seu lado.
Se tudo o que é externo a você fosse retirado hoje, cargos, relações, bens, o que sobraria? Você desabaria ou encontraria um chão firme feito da sua própria essência?
Reflita Caro Leitor.
Até breve.
J.L.I Soáres