O Fim do Pensamento Mágico e a Exaustão da Esperança
Vivemos em uma era saturada por pílulas digitais de ânimo. Basta rolar o feed para encontrar vídeos curtos, esteticamente perfeitos, muitas vezes em preto e branco, com uma trilha sonora melancólica mas esperançosa, que nos prometem a chave da "santidade no cotidiano" ou o segredo para "vencer na vida". Eles nos falam sobre o "minuto heroico", sobre vencer a preguiça ao acordar, sobre transformar o pneu furado ou a queda do Wi-Fi em uma "mortificação passiva". A proposta é sedutora: a vida não seria uma ausência de problemas, mas uma permanência na trincheira.
No entanto, quando a tela do celular se apaga e a realidade crua do boleto, do projeto falido e do silêncio de Deus se impõe, essa lírica motivacional muitas vezes soa como um ruído irritante para quem já está com o "pavio picado".
Existe uma crítica necessária a ser feita sobre como consumimos essa espiritualidade e essa positividade. Muitas vezes, caímos no que a mecânica quântica e pensadores como Hélio Couto chamam de pensamento mágico: a crença infantil de que existe um Deus-garçom, pronto para nos servir, ou um Universo que nos deve favores simplesmente porque "queremos muito".
Segundo a perspectiva "Da Janela do Meu Olhar", nós, seres humanos, temos uma "necessidade de depositar essa confiança ou terceirizar a responsabilidade pelos nossos fracassos". Criamos narrativas reconfortantes para o nosso ego ferido. Quando um negócio não vinga, quando um relacionamento termina, ou quando um projeto no qual despejamos nossa alma é ignorado pelo público, rapidamente dizemos: "Foi Deus que quis assim", "Não era para ser", ou o clássico "Foi um livramento".
Mas, "Da Janela do Meu Olhar", essa postura pode ser um grande autoengano. "Afinal, como pode ser livramento se você buscou por isso? Apenas não deu certo e o teu ego filiado está ali querendo encontrar uma justificativa que seja menos dolorosa". É insuportável para a nossa vaidade admitir a incompetência, a falta de preparo ou simplesmente o acaso cruel. Preferimos um Deus que nos proteja da nossa própria fraqueza a assumir que "se você foi lá, tentou, fez e não conseguiu, talvez lhe faltou força".
Essa terceirização da culpa cria uma fé infantilizada. Queremos o "papai" que diz "não foi culpa sua", enquanto evitamos olhar para a lei inegorável da semeadura.
Por outro lado, não podemos cair no extremo oposto do materialismo seco. Há, sim, mistérios que a lógica pura não explica. As "sincronicidades" acontecem. O profissional que, do nada, recebe uma proposta de contrato inesperada de alguém do passado, pode chamar isso de sorte. Mas, numa análise mais fria, aquilo só ocorreu porque houve uma conexão prévia. "Se você não gerou conexão nenhuma, essa coincidência não iria acontecer". O milagre precisa de um substrato de realidade. A oportunidade precisa encontrar alguém trabalhando.
O problema reside quando o esforço contínuo não gera a recompensa esperada. E aqui entramos na parte mais sombria e honesta da experiência humana: a exaustão.
Há momentos em que a luta pela sobrevivência, a tentativa de empreender sem ter o "dom da subordinação", e a sucessão de dívidas e fracassos criam não uma resiliência, mas uma anestesia. O ser humano cansa de projetar o futuro. Cansa de se perguntar "como vai ser?". Entra-se em um estado que "Da Janela do Meu Olhar" descreve cirurgicamente não apenas como anestesia, mas como
"entrar em coma existencial".
É nesse estado de coma emocional que os vídeos motivacionais falham. Tentar injetar esperança em quem está exaurido é como tentar dar partida em um carro sem motor. A mente, para se proteger da dor de mais uma frustração, desliga.
E, no silêncio desse "coma", surge a dúvida filosófica primordial, aquela que flerta com o niilismo de Cioran: O que somos nós? "Da Janela do Meu Olhar" levanta o questionamento angular: "Fomos jogados no mundo e que se vire, somos um acidente genético talvez? Ou existe de fato essa paternidade de Deus?".
Se somos um acidente, a dor é inútil e o fracasso é apenas estatística. Se existe Paternidade, o silêncio de Deus é pedagógico, mas não deixa de ser doloroso. Talvez a maturidade espiritual — e humana — não esteja em ter certeza de que "tudo vai dar certo", nem em acreditar que "Deus está no comando" para nos isentar de responsabilidade. Talvez a maturidade seja apenas a capacidade de suportar a incerteza, de permanecer na trincheira mesmo estando "em coma", e de fazer o trabalho possível, sem confete, sem aplauso, e muitas vezes, sem fé. Apenas porque é o que resta a ser feito.
E "Da janela do seu olhar?
Como você lida com o silêncio das suas expectativas frustradas? Você consegue identificar onde termina a sua responsabilidade de "semear" e onde começa o acaso (ou a providência)? Ou você também sente que, às vezes, a única forma de continuar caminhando é se permitindo esse estado de "coma" para não sucumbir à dor da realidade?
Até breve...
J.L.I Soáres
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