EM QUE MEDIDA VOCE NUTRE EM VOCE ESSE SENTIMENTO?
"Tudo o que nos irrita nos outros pode nos levar a uma compreensão de nós mesmos."
Certa vez, no ambiente corporativo, vivi uma situação que ilustra perfeitamente a cegueira emocional em que, muitas vezes, operamos. Uma pessoa me procurou, visivelmente incomodada, para desabafar: "Nossa, não sei o que faço! Meu sócio está me olhando com inveja. Estou sentindo a inveja nos olhos dele por causa desse novo cliente que consegui."
Eu parei, olhei profundamente para ela e, em vez de oferecer o consolo superficial que o ego adora, devolvi a questão:
"Em que medida você nutre esse sentimento dentro de você para ser capaz de enxergá-lo tão nitidamente no outro?"
A pessoa travou. Ficou com um ponto de interrogação estampado na testa, em silêncio absoluto. A pergunta foi um curto-circuito no sistema de defesa dela. Mais tarde, com a poeira baixa, aprofundamos a conversa e a ficha caiu: ela só conseguiu identificar a "frequência da inveja" no sócio porque aquele dial também estava sintonizado dentro dela.
O Mundo é um Espelho, não uma Janela
Temos o hábito viciado de apontar o dedo para fora. Reclamamos que o mundo é hostil, que as pessoas são falsas, que o parceiro é agressivo ou que o chefe é ingrato. Mas esquecemos uma lei psíquica imutável: Só reconhecemos fora aquilo que já habita dentro.
Para você identificar um sentimento no outro, você precisa ter o "código de barras" desse sentimento no seu inventário interno. Se eu não tenho inveja, ambição desmedida ou insegurança dentro de mim, a atitude do outro passa despercebida ou é interpretada de outra forma. Mas, se aquilo me pica, me atinge e me mobiliza, é porque encontrou ressonância.
Da janela do meu olhar, percebo que somos emissores antes de sermos receptores. Como podemos esperar ser tratados com amor e gentileza se, no segredo dos nossos pensamentos, vibramos julgamento, raiva e competição? É uma conta que não fecha. Queremos a doçura do mel, mas plantamos limão.
O outro, muitas vezes, é apenas o carteiro; a mensagem que ele entrega foi escrita por nós mesmos. O sócio "invejoso" talvez estivesse apenas refletindo a insegurança e a competitividade que aquela pessoa se recusava a admitir que tinha.
Isso não significa que o mal não exista no mundo ou que as pessoas não errem conosco. Significa apenas que a nossa reação e a nossa percepção dizem mais sobre a nossa psique do que sobre a realidade do outro. Ao assumirmos a autorresponsabilidade, paramos de tentar limpar o espelho para mudar a imagem. Entendemos que, para mudar o reflexo, precisamos mudar a nós mesmos.
Limpemos nossas lentes!
Se você quer lealdade, vibre lealdade. Se quer paz, cultive a não-violência interna. Antes de acusar o olhar do outro, investigue o seu próprio coração. Afinal, o que você vê lá fora é, quase sempre, um retrato do que você carrega aqui dentro.
Pense na pessoa que mais te irrita hoje. Qual característica dela te tira do sério? Agora, respire fundo e responda honestamente: em que área da sua vida você age exatamente como ela, mesmo que de forma disfarçada?
Até breve.
J.L.I Soáres
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