QUANDO A SEDUÇÃO É APENAS RECRUTAMENTO
Caro leitor;
Hoje decidi contar-lhes uma experiência, no mínimo "curiosa" e, com isso alertar sobre os riscos dos relacionamentos digitais, a comoditização do afeto e por que sua intuição (e seu anjo da guarda) valem mais que uma diária em hotel de luxo.
Vivemos a era dos Amores Líquidos e das conexões de bolso. O algoritmo nos promete a alma gêmea, mas, muitas vezes, entrega apenas um espelho das nossas próprias carências ou, pior, um predador disfarçado de oportunidade.
Embora existam belíssimas exceções, casais que se conheceram na rede e construíram impérios de afeto real, há uma dinâmica obscura crescendo nas DMs de mulheres bem-sucedidas, autônomas e solteiras. É o fenômeno do "Delivery Afetivo".
A Economia do "Vem pra Cá"
O cenário é quase um roteiro: o pretendente apresenta-se próspero, articulado, talvez um investidor de "mercados voláteis" ou um funcionário público com ares de magnata. A conversa flui, a química digital explode. E então, com uma rapidez suspeita (duas semanas, um mês), surge o convite:
"Venha para a minha cidade. O hotel de luxo é por minha conta, você só paga o deslocamento."
Parece generoso, mas, sob a ótica da análise transacional, é uma armadilha. Ele oferece o ativo estático (o hotel, que talvez ele nem pague, usando permutas ou esquemas); ele exige de você o ativo de risco (o deslocamento, a exposição física, o sair da sua zona de segurança).
No popular, gosto de chamar isso de "Pepeka Delivery". Na análise comportamental, chamamos de Desvalorização Prévia. Quem se encomenda como fast-food será consumido como tal. Se o interesse fosse genuíno, a etiqueta da conquista exigiria que ele fosse até a dama, e não que a encomendasse como uma pizza de luxo.
O perigo, contudo, nem sempre é apenas físico (embora o risco de acordar em uma banheira de gelo sem um rim seja uma possibilidade que a mente atenta, ou por demais criativa, jamais deve descartar). Muitas vezes, o roubo não é de órgãos, mas de Capital Social.
É tal qual a Síndrome de Nikita: A Mulher como Ferramenta.
Há um perfil de homem que busca mulheres específicas: empreendedoras, bem relacionadas (Clubes, Associações), com boa oratória e imagem respeitável. Ao seduzi-la, ele não busca uma namorada/esposa; ele busca uma "Nikita". Lembra-se do filme? Nikita era uma mulher treinada para ser uma arma, uma ferramenta nas mãos de uma agência.
Ele a chama de "Minha Nikita de São Paulo" não como um elogio à sua força, mas como um ato falho sobre a função que você desempenhará: a de abrir portas, usar seu networking e validar os "negócios" dele perante a sociedade. A sedução, aqui, é apenas uma etapa do recrutamento. Ele não quer seu coração; ele quer sua agenda de contatos.
Por que mulheres inteligentes, "vacinadas" e independentes ainda balançam com essas propostas?
Existe um fenômeno chamado de Transferência: Diante da solidão da mulher moderna, que carrega o mundo nas costas, a figura de um homem "poderoso", que promete resolver, cuidar e prover (mesmo que seja só uma diária de hotel), aciona o registro infantil da busca pelo Pai Protetor.
A carência é uma névoa que cega a intuição. Ela nos faz ver "Cuidado" onde existe apenas "Controle". Ela nos faz ver "Oportunidade" onde existe apenas "Oportunismo". Ignoramos as Red Flags (bandeiras vermelhas): a rapidez excessiva, a ostentação desmedida, o fato de ele seguir centenas de mulheres com o mesmo perfil que o seu (o harém digital de possíveis Nikitas).
Recusar o "delivery" não é conservadorismo; é instinto de sobrevivência. Dizer "não" ao hotel de luxo e responder "Se quiser me conhecer, venha até mim, jantaremos em público e conversaremos" é o filtro definitivo.
Estejamos dispostas a pagar o "Preço da Intuição".
Estejamos Despertas.
E, "Da Janela do seu olhar"...
Quando alguém te oferece "o mundo" muito rápido, sua intuição grita "Cuidado" ou sua carência grita "Finalmente"?
Você sabe a diferença entre ser cortejada (valorizada) e ser recrutada (usada como ferramenta)?
Até breve...
J.L.I
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