A ilusão da fusão e a beleza de sermos sós, acompanhados.
Caro leitor;
Crescemos ouvindo contos de fadas e canções românticas que nos vendem a ideia da "metade da laranja", do "dois em um", da fusão absoluta de almas. Acreditamos que amar é diluir-se no outro, é sentir o que o outro sente, é viver a vida do outro. Mas, da janela do meu olhar, a realidade se impõe com uma sobriedade necessária:
Nascemos sós, morremos sós e, no intervalo entre esses dois pontos, evoluímos sós.
Isso soa frio? Pelo contrário. É a base da verdadeira saúde emocional. O caminhar pode, e deve, ser compartilhado. Ter uma mão para segurar na estrada é uma das maiores delícias da existência. Mas a Jornada, aquilo que acontece dentro da pele, no silêncio dos pensamentos e na digestão das experiências, é intransferível.
Existe uma diferença abismal entre ser Companheiro e ser Muleta.
Caminhar junto: É estar lado a lado, como dois trilhos de trem. Olhamos para a mesma direção, compartilhamos a paisagem, trocamos águas e histórias. Mas somos duas linhas paralelas e distintas.
Jornada misturada (Simbiose): É tentar virar um nó. Um se apoia tanto no outro que, se um cai, os dois desmoronam. Perde-se a identidade. Não se sabe mais onde termina o meu desejo e começa o do outro.
A beleza de um relacionamento maduro (seja amoroso, filial ou de amizade) está justamente na individualidade preservada. Eu te amo pelo que você é, não pelo pedaço de mim que projetei em você. Eu te acompanho e testemunho a sua evolução, mas não tento ser o roteirista da sua história.
Caminhemos juntos, sim. De mãos dadas, trocando afeto. Mas lembre-se sempre: os sapatos que calçam os seus pés são apenas seus. E os passos que levarão à sua evolução, só você pode dar.
Você tem procurado parceiros de caminhada ou carregadores de bagagem? As pessoas ao seu lado somam na sua jornada ou você tem tentado viver a jornada delas?
Até breve.
J.L.I Soáres
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