quinta-feira, 1 de agosto de 2024

SINCRONICIDADE: QUANDO O ACASO É APENAS O PSEUDÔNIMO DE DEUS

Desvendando o mistério das coincidências que mudam o rumo da vida.

Você pensa em alguém que não vê há anos e, segundos depois, o telefone toca com o nome dessa pessoa na tela. Você está vivendo um dilema interno profundo, buscando uma resposta, e um livro cai da prateleira aberto exatamente na frase que você precisava ler. Você sonha com um escaravelho dourado e, ao acordar e abrir a janela, um inseto raro e similar bate no vidro.

Para o cético, isso é estatística. Para o supersticioso, é milagre. Mas para Carl Gustav Jung, e da janela do meu olhar, isso tem um nome preciso e científico:

Sincronicidade.

Fomos educados na lei da Causalidade: se eu chuto a bola (causa), ela se move (efeito). Tudo tem uma explicação mecânica anterior. A Sincronicidade, porém, rompe essa lógica. Ela é o que Jung chamou de "Princípio de Conexão Acausal". É quando dois eventos — um interno (psíquico) e um externo (físico) — acontecem simultaneamente sem que um tenha causado o outro, mas unidos por algo muito mais forte: o Sentido.

Não é que o seu pensamento fez o telefone tocar (mágica). É que a sua psique e a realidade física entraram na mesma dança, no mesmo compasso, revelando que, no fundo, tudo está conectado.

A Sincronicidade é a prova de que não vivemos em um universo aleatório e frio. Existe uma ordem subjacente, uma teia invisível que Jung chamava de Unus Mundus (Um Só Mundo), onde matéria e espírito são a mesma substância. Quando uma sincronicidade acontece, é como se essa teia vibrasse. É o Universo piscando para você. É um "alerta de spoiler" cósmico dizendo: "Preste atenção. Você está no caminho certo" ou "Olhe para isso, aqui está a chave do seu problema".

A diferença entre "Sorte" e "Sincronicidade" é o impacto na consciência.

Achar uma nota de 50 reais na rua é sorte (agradável, mas vazio).

Achar a foto perdida de um antepassado no dia em que você decide perdoar sua história familiar é sincronicidade (transformador e numinoso).

Viver atento às sincronicidades exige uma postura de humildade e abertura. É sair do automatismo e perceber as rimas da realidade. Não se trata de ficar paranoico, achando que cada placa de carro é uma mensagem divina. Trata-se de sentir a ressonância. Quando o evento externo toca o sino da sua alma e faz "plim!", ali existe uma mensagem. É o diálogo com o mistério.

A sincronicidade vem para nos lembrar que não estamos isolados dentro da nossa pele. O que vibramos dentro, ecoa fora. E o que acontece fora, muitas vezes, é apenas o teatro do que precisamos resolver dentro. Portanto, da próxima vez que uma "coincidência impossível" cruzar o seu caminho, não a descarte como acaso. Pare, respire e pergunte: "O que o Universo está tentando me contar que eu ainda não tive a coragem de ouvir?"

Qual foi a maior 'coincidência' da sua vida? Aquela que, quando você conta, as pessoas dizem 'não é possível', mas que, no fundo, você sabe que foi o Universo conversando diretamente com você?

Até breve...

J.L.I Soáres


LEIA TAMBÉM

Eternos Rascunhos que Somos

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Propósito

ONDE ENTERRAMOS A NOSSA HUMANIDADE?

Caro Leitor; Um caso recente fez minha alma sangrar no papel. Não é apenas sobre o agora, é sobre uma porta antiga que se abriu na minha mem...