Existe um momento silencioso e aterrorizante na biografia de toda alma: o instante em que olhamos para baixo e não vemos mais o chão. As redes de segurança se romperam, as garantias evaporaram e o cenário, antes familiar, tornou-se um abismo.
Muitos chamam isso de "fundo do poço". Da janela do meu olhar, prefiro chamar de Ponto Zero da Liberdade.
É curioso como o medo opera. Enquanto temos algo a perder um status, um relacionamento morno, uma imagem social, caminhamos trêmulos, agarrados ao corrimão da conveniência. O medo de cair nos paralisa. Mas o que acontece quando já estamos em queda livre? Ou quando percebemos que o "pior" já aconteceu?
Nesse exato milissegundo, ocorre um fenômeno psíquico fascinante: A perda do medo.
E é aqui que mora o perigo e a glória. Sem o peso do medo na mochila, ficamos leves. E essa leveza nos impõe uma escolha binária e definitiva:
1. Potencializar a Queda: Podemos usar essa ausência de medo para nos entregarmos à destruição total, ao niilismo, deixando que a gravidade nos esmague contra a realidade. É o abandono de si mesmo.
2. Equilibrar o Passo: Ou podemos usar essa mesma leveza para nos tornarmos equilibristas. Observe o funâmbulo: ele só cai se o medo enrijecer seus músculos. Se ele não teme a altura, ele dança sobre o fio. Quando entendemos que não há mais nada a perder, ganhamos uma coragem inabalável para ousar. Para escrever o livro que estava na gaveta, para dizer o "não" que estava na garganta, para ser quem realmente somos, sem as máscaras da conveniência.
O abismo, caríssimo leitor, não serve apenas para nos engolir. Ele serve para testar se temos asas. Perder o medo é tirar a trava de segurança da existência. Se isso vai te fazer despencar ou voar, depende apenas da direção do seu olhar: para a escuridão lá embaixo ou para o horizonte à frente?
Às vezes, a única saída é para cima.
E você? Diante dos seus abismos pessoais, o medo tem sido sua âncora ou você já descobriu a liberdade de quem não tem mais nada a perder?
Até breve...
J.L.I Soáres
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