E o design inteligente para os aprendizados e as transmutações de padrões
A intrincada tapeçaria tecida pelo universo nem sempre é compreendida por nós. Sempre tecendo os fios das experiências, nos fazendo provar os sabores e dissabores no menu "Michelin" degustação da vida.
E, para falar a verdade,
indigesto algumas vezes, mas necessário. Afinal, como desenvolveríamos nosso
paladar existencial sem o excesso, a falta de sal ou das ervas que aromatizam
nossa vida?
Como verdadeiros
alquimistas da vida, experimentamos conscientes ou não, os (DES)temperos das
nossas experiências, é certo que algumas receitas são dignas de nota zero para
a criatividade do cosmos, outras mais parecem o regurgitar do Universo. Mas
estamos para aprender.
"Descer
aos porões da alma exige coragem".
Não porque ali haja monstros, mas porque ali se referem aos padrões que escolhemos não olhar. Tudo aquilo que foi varrido para debaixo do tapete emocional, medos, carências, afetos não modificados, amores interrompidos, expectativas frustradas, acaba armazenado nesses porões internos, longe da luz da consciência.
O problema é que aquilo
que não é visto não desaparece. Apenas se repete. E é justamente na reprodução
que os padrões ganham força: relações que surgem diferentes, mas terminam
iguais; vínculos que prometem cuidado, mas entregam abandono; amores intensos
que rapidamente se transformam em dor conhecida. É o inconsciente tentando
resolver, pela insistência, aquilo que ainda não foi compreendido.
"Quando
não ventilamos os porões do inconsciente, o mofo se instala nas paredes da
alma".
O mofo não surge do
nada, ele é fruto da umidade emocional, do silêncio prolongado, da recusa em
nomear o que dói. Ele não mata de imediato, mas contamina aos poucos: distorce
percepções, exige escolhas, enfraquece a capacidade de amar com presença e verdade.
É nesse ponto que nós, Eternos
Ama(D)ores nos revelamos. Somos aprendizes constantes na arte de amar
porque carregamos porões não visitados. Alguns amam demais tentando preencher
vazios antigos; outros não sabem amar porque aprenderam a se defender da dor;
há ainda aqueles que não se permitem serem amados, pois o afeto genuíno exige
um nível de exposição que o ego teme sustentar.
Amar, portanto, não é apenas encontro, é manutenção. É uma limpeza periódica da alma, é abrir as janelas internas, permitindo que a luz alcance os espaços esquecidos, para que o mofo não faça as escolhas afetivas. Enquanto não consideremos os padrões que escondemos em nossos porões, seguiremos confundindo intensidade com conexão e repetição com destino.
A alquimia acontece
quando descemos conscientemente, identificamos os padrões, nomeamos o mofo e
escolhemos transmutá-lo. Não se trata de eliminar o passado, mas de integrá-lo,
permitindo que aquilo que antes contaminava se torne matéria-prima para um amor
mais lúcido, responsável e possível.
E você caríssimo leitor, tens adentrado os porões de sua alma?
Até breve...
J.L.I.Soáres
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