A Dialética entre a Presença Real e a Performance do Sagrado.
Caro Leitor;
A modernidade nos impôs a ditadura da evidência. Parece que o que não é fotografado, postado ou validado pelo olhar do Outro, simplesmente não existe. No entanto, ao buscarmos a "coisa em si" (das Ding an sich), percebemos que o essencial opera em uma frequência de invisibilidade.
Historicamente, a Dignidade (do latim dignitas) não era um espetáculo, mas um estado de espírito inegociável. Quando transformamos nossa espiritualidade ou nossos vínculos em moedas de troca para a aprovação alheia, incorremos numa projeção narcísica.
É a tentativa desesperada de preencher um vazio existencial com a imagem de uma virtude que não se sustenta na subsistência do cotidiano.
A verdadeira Soberania da alma reside no silêncio.
Enquanto o ego grita sua pretensa "iluminação" ou sua "distância das coisas do mundo", a essência habita o gesto reservado: o sabor de uma bebida simples, o peso de um terço nas mãos, a espera silenciosa em uma paróquia/igreja.
A invisibilidade do essencial é, portanto, o último reduto da nossa liberdade. É o território onde não precisamos de filtros, pois a nossa verdade não depende da visualização alheia para ser absoluta.
Há um perigo sutil e contemporâneo em colocar a nossa fé no altar da aprovação alheia para conferir-lhe uma validação que deveria ser intrínseca.
Quando o gesto sagrado, seja uma prece, um silêncio ou um rito, necessita da captura da lente e do testemunho do Outro para tornar-se 'real', ele se esvazia de sua Dignidade.
Sob a ótica fenomenológica, essa busca por fundamento externo transforma a experiência do ser em um simulacro: a fé deixa de ser um diálogo com o Transcendente para tornar-se uma peça de marketing existencial.
Validar o espírito através do aplauso ou da visualização alheia é, em última instância, confessar a própria orfandade de sentido.
Até breve…
J.L.I
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