sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

O CONVITE INSANO DOS AMORES DE "DELIVERY" E A SÍNDROME DE NIKITA

QUANDO A SEDUÇÃO É APENAS RECRUTAMENTO

Caro leitor;

Hoje decidi contar-lhes uma experiência, no mínimo "curiosa" e, com isso alertar sobre os riscos dos relacionamentos digitais, a comoditização do afeto e por que sua intuição (e seu anjo da guarda) valem mais que uma diária em hotel de luxo.

Vivemos a era dos Amores Líquidos e das conexões de bolso. O algoritmo nos promete a alma gêmea, mas, muitas vezes, entrega apenas um espelho das nossas próprias carências ou, pior, um predador disfarçado de oportunidade.

Embora existam belíssimas exceções, casais que se conheceram na rede e construíram impérios de afeto real, há uma dinâmica obscura crescendo nas DMs de mulheres bem-sucedidas, autônomas e solteiras. É o fenômeno do "Delivery Afetivo".

A Economia do "Vem pra Cá"

O cenário é quase um roteiro: o pretendente apresenta-se próspero, articulado, talvez um investidor de "mercados voláteis" ou um funcionário público com ares de magnata. A conversa flui, a química digital explode. E então, com uma rapidez suspeita (duas semanas, um mês), surge o convite: 

"Venha para a minha cidade. O hotel de luxo é por minha conta, você só paga o deslocamento."

Parece generoso, mas, sob a ótica da análise transacional, é uma armadilha. Ele oferece o ativo estático (o hotel, que talvez ele nem pague, usando permutas ou esquemas); ele exige de você o ativo de risco (o deslocamento, a exposição física, o sair da sua zona de segurança).

No popular, gosto de chamar isso de "Pepeka Delivery". Na análise comportamental, chamamos de Desvalorização Prévia. Quem se encomenda como fast-food será consumido como tal. Se o interesse fosse genuíno, a etiqueta da conquista exigiria que ele fosse até a dama, e não que a encomendasse como uma pizza de luxo.

O perigo, contudo, nem sempre é apenas físico (embora o risco de acordar em uma banheira de gelo sem um rim seja uma possibilidade que a mente atenta, ou por demais criativa, jamais deve descartar). Muitas vezes, o roubo não é de órgãos, mas de Capital Social. 

É tal qual a Síndrome de Nikita: A Mulher como Ferramenta.

Há um perfil de homem que busca mulheres específicas: empreendedoras, bem relacionadas (Clubes, Associações), com boa oratória e imagem respeitável. Ao seduzi-la, ele não busca uma namorada/esposa; ele busca uma "Nikita". Lembra-se do filme? Nikita era uma mulher treinada para ser uma arma, uma ferramenta nas mãos de uma agência.

Ele a chama de "Minha Nikita de São Paulo" não como um elogio à sua força, mas como um ato falho sobre a função que você desempenhará: a de abrir portas, usar seu networking e validar os "negócios" dele perante a sociedade. A sedução, aqui, é apenas uma etapa do recrutamento. Ele não quer seu coração; ele quer sua agenda de contatos.

Por que mulheres inteligentes, "vacinadas" e independentes ainda balançam com essas propostas?

Existe um fenômeno chamado de Transferência: Diante da solidão da mulher moderna, que carrega o mundo nas costas, a figura de um homem "poderoso", que promete resolver, cuidar e prover (mesmo que seja só uma diária de hotel), aciona o registro infantil da busca pelo Pai Protetor.

A carência é uma névoa que cega a intuição. Ela nos faz ver "Cuidado" onde existe apenas "Controle". Ela nos faz ver "Oportunidade" onde existe apenas "Oportunismo". Ignoramos as Red Flags (bandeiras vermelhas): a rapidez excessiva, a ostentação desmedida, o fato de ele seguir centenas de mulheres com o mesmo perfil que o seu (o harém digital de possíveis Nikitas).

Recusar o "delivery" não é conservadorismo; é instinto de sobrevivência. Dizer "não" ao hotel de luxo e responder "Se quiser me conhecer, venha até mim, jantaremos em público e conversaremos" é o filtro definitivo. 

Estejamos dispostas a pagar o "Preço da Intuição".

O predador, o golpista ou o aproveitador não tem paciência para o rito. Ele quer a facilidade. Ao impor uma barreira de dignidade, você repele quem queria te usar e, talvez, apenas talvez, atraia quem realmente queira te conhecer. Não se culpe por ter se encantado. 

A necessidade de criar laços é humana. 

Mas agradeça à sua "mente desconfiada" (ou ao seu anjo da guarda) por ter te mantido em terra firme. No mercado dos afetos, quem se entrega sem contrato de confiança acaba virando ativo na contabilidade de narcisistas. E você, mulher, vale muito mais do que uma passagem aérea e uma promessa vazia.

Estejamos Despertas.

E, "Da Janela do seu olhar"...

Quando alguém te oferece "o mundo" muito rápido, sua intuição grita "Cuidado" ou sua carência grita "Finalmente"?

Você sabe a diferença entre ser cortejada (valorizada) e ser recrutada (usada como ferramenta)?

Até breve...

J.L.I

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A ARQUITETURA DA ILUSÃO

sábado, 2 de dezembro de 2023

O CAMINHAR PODE SER JUNTO MAS A JORNADA É INDIVIDUAL

 A ilusão da fusão e a beleza de sermos sós, acompanhados.

    Caro leitor;

    Crescemos ouvindo contos de fadas e canções românticas que nos vendem a ideia da "metade da laranja", do "dois em um", da fusão absoluta de almas. Acreditamos que amar é diluir-se no outro, é sentir o que o outro sente, é viver a vida do outro. Mas, da janela do meu olhar, a realidade se impõe com uma sobriedade necessária: 

Nascemos sós, morremos sós e, no intervalo entre esses dois pontos, evoluímos sós.

    Isso soa frio? Pelo contrário. É a base da verdadeira saúde emocional. O caminhar pode, e deve, ser compartilhado. Ter uma mão para segurar na estrada é uma das maiores delícias da existência. Mas a Jornada, aquilo que acontece dentro da pele, no silêncio dos pensamentos e na digestão das experiências, é intransferível.

    Muitas vezes, sofremos porque queremos viver a lição pelo outro. Queremos poupar quem amamos da dor, queremos injetar a nossa sabedoria na veia deles, queremos que eles vejam o mundo com os nossos óculos. Isso é impossível. A dor de dente do outro, por mais que eu sinta empatia, só dói na boca dele. O despertar espiritual do outro só acontece no tempo dele. Tentar carregar a mochila alheia não alivia o peso dele (pois a lição voltará até ser aprendida) e apenas sobrecarrega as minhas costas, impedindo o meu próprio passo.

Companhia vs. Simbiose

    Aceitar que a jornada é individual exige coragem para encarar a nossa Solidão Fundamental. Existem abismos internos que ninguém, nem o grande amor da sua vida, poderá preencher. Existem respostas que só podem ser encontradas no silêncio do próprio quarto. Quando paramos de exigir que o outro nos "complete" ou nos "salve", nós o libertamos. E, paradoxalmente, o amor flui melhor. Porque nada é mais leve do que caminhar ao lado de alguém que não está pendurado no seu pescoço.

Existe uma diferença abismal entre ser Companheiro e ser Muleta.

    Caminhar junto: É estar lado a lado, como dois trilhos de trem. Olhamos para a mesma direção, compartilhamos a paisagem, trocamos águas e histórias. Mas somos duas linhas paralelas e distintas.

    Jornada misturada (Simbiose): É tentar virar um nó. Um se apoia tanto no outro que, se um cai, os dois desmoronam. Perde-se a identidade. Não se sabe mais onde termina o meu desejo e começa o do outro.

    A beleza de um relacionamento maduro (seja amoroso, filial ou de amizade) está justamente na individualidade preservada. Eu te amo pelo que você é, não pelo pedaço de mim que projetei em você. Eu te acompanho e testemunho a sua evolução, mas não tento ser o roteirista da sua história.

    Caminhemos juntos, sim. De mãos dadas, trocando afeto. Mas lembre-se sempre: os sapatos que calçam os seus pés são apenas seus. E os passos que levarão à sua evolução, só você pode dar.

Você tem procurado parceiros de caminhada ou carregadores de bagagem? As pessoas ao seu lado somam na sua jornada ou você tem tentado viver a jornada delas?

Até breve.

J.L.I Soáres

quarta-feira, 11 de outubro de 2023

TUDO ME É REVELADO

 TUDO ME É REVELADO.


Após um longo período de inatividade, retomando...e, obrigada por aguardar!

Caro Leitor, eu sempre soube que sempre tudo nos é revelado. Deus/Universo ou a Divindade que cada um de nós credita sempre dará um jeito de rasgar o véu e te revelar a realidade, a verdade que não consegues, ou não queres ver.

Depois de eu me aprofundar (um pouco mais) nos estudos espiritualistas aderi ao entendimento da Bíblia como o maior livro metafísico existente. E lá diz: "Batei e a porta se abrirá, pedi e dar se vos a"...ou algo assim, e de fato caro leitor, se permanecerdes no Religare tudo lhes será revelado.

Neste ínterim que me ausentei, muitas realidades me foram desveladas, umas por minhas interpelações outras nem tanto, pois convenhamos, as verdades realmente doem...frustram, mas libertam, sabemos disso, sei que sabes, mas é sempre bom ratificar esta constatação, muitas coisas, acredito eu que, ainda de forma inconsciente, decidimos por esquecer, e esta é uma delas. Se é bom ou ruim: Da janela do meu olhar, vejo que vai depender do momento e da jornada que você estiver experenciando e de como os seus olhos enxergam tudo o que lhes é apresentado.

Como já dizia Epiteto: “O homem não sofre pelo que experiencia, mas pela forma como enxerga o que experiencia”, ou seja, de acordo com a vista Da janela do teu olhar de cada pessoa, das crenças, do núcleo em que cresceu (familiar/sociedade) portanto, tudo está em nós...e no mesmo sentido, como diz o ditado popular – “depende da perspectiva”. O nº. 6 pode ser o nº. 9 lembra?

E, ao longo dos meus anos, Da janela do meu olhar mudei muito a perspectiva...e isso para mim foi muito bom, ainda que desafiador.

Desafiador porque me identifico muito com os direcionamentos da Astrologia e sob os auspícios escorpianos - meu signo solar + minha casa 7 no mapa astral, mostraram-me a necessidade de flexibilizar, aceitar e compreender as mudanças. Quer sejam elas promovidas ou não por mim.

Aprendi e venho assimilando (isto não quer dizer que sempre aplico) deixar de ser Carvalho para ser Bambu...ou, ao menos alternar.

Vou registrar na linha do tempo as mudanças no meu mundo e como Da janela do meu olhar eu enxerguei cada uma delas, claro, amo escrever (não mais que falar...rsrsrs), mas partilharei as que mais me trouxeram evolução e as que mais marcaram minha jornada até agora.

Mas afinal o me fora revelado? Tantas coisas.... quer saber? Acompanhe o Blog que irei te contar tudo!!!

Até logo e, se quiser partilhar o que lhe fora revelado que impactou a forma como enxergava a situação Da janela do teu olhar, deixa registrado, vamos partilhar as experiências, além de ter auxiliado a você poderá ser útil para mim também e para o outro, já dá a dica! 

 J.L.I Soáres





sexta-feira, 15 de setembro de 2023

NÃO VALE A PENA! OBSERVE, REFLITA E FAÇA DA VIDA POEMA!

 Quando o "indigesto menu" da existência se transforma em arte e sabedoria

NÃO VALE A PENA... 
Viver uma vida sem a profundidade da observação, sem a coragem da reflexão e sem a arte de transformar cada experiência em poesia.

NÃO VALE A PENA... 
Apenas sobreviver ao 'indigesto menu da existência' quando se pode degustá-lo, transformá-lo em arte.

O mundo que nos convida constantemente à pressa, ao consumo desenfreado e à busca por validações externas, o existe um tesouro que reside na capacidade de pausar, observar e decifrar as mensagens que a própria existência nos sussurra. A vida, em sua essência mais crua e complexa – com seus desafios, suas alegrias, suas perdas e seus recomeços – não é apenas um roteiro a ser seguido, mas a maior das escolas, o mais completo dos livros, e o mais profundo dos palcos.

Mas, como extrair sabedoria até do caos? Como transformar o que parece 'indigesto' em nutriente para a alma? 

E é aqui, Caro leitor, que a poesia, não apenas como gênero literário, mas como uma lente de percepção e uma ferramenta de transmutação, revela sua magia. Ela nos convida a ir além do que os olhos veem, a sentir o que a alma pulsa e a dar forma àquilo que, de outra forma, se perderia na pressa do dia a dia. Nos permitirmos questionar o que temos valorizado em nossa jornada, olhar para a nossa existência com um novo brilho, e descobrir como a arte pode ser a bússola para a mais profunda transformação! 

'DA JANELA DO MEU OLHAR', ao longo da minha jornada, tenho constatado que o que realmente NÃO VALE A PENA...é negligenciar os aprendizados que a própria existência de forma insistente nos oferece. As armadilhas sutis, quase invisíveis, nos impedem de transformar a vida em arte e/ou poesia, e por muito tempo, eu mesma me flagrei caindo nelas. Certo, sei que podes pensar Caro leitor, "Deixa de ser sonhadora", pois como podemos fazer isso? Eu te digo!!! É possível Sim! Por outro lado podes também afirmar: "Sei disso! Só que não sou artista!" Pois bem, eu também não sou artista!!! Mas encontrei na arte, e no meu caso, desde muita tenra idade, na escrita poética e em prosa a forma de canalizar muitas das minhas emoções (quaisquer que fossem elas). Já pintei, já bordei rsrsr...literalmente! Mas minha verdadeira paixão é o Verbo!!! Há como eu Amo Conjugar, Satirizar minha condição humana, traduzir meus sentimentos, sofrimentos, frustrações com as figuras de linguagem, e, convenhamos, nosso vernáculo é extremamente rico para essa prática! E rabiscar tinta no papel, ou digitar no ecrã que talvez jamais será descoberto! (pode ser uma benção aos olhos que não gostem da minha escrita), rsrsrs....

Decidi que as minhas respostas mais elaboradas nos enfrentamentos, questionamentos, incongruências nas interações humanas mereciam uma elevação maior, colocá-las em rimas e trazer camadas de interpretações proporcionadas pelas formas fixas seriam o melhor para preservação da minha saúde mental e principalmente na harmonia das minhas interações, não! Não significa que eu recuse um  embate quando necessário, que eu não defenda meus pontos de vista, mas muitos ah....muitos deles estão aqui mesmo no blog, em prosas ou em poemas. Muitas respostas não dadas estão rimadas, muitas argumentações elaboradas estão escondidas nas camadas das progressões nas estruturas de rimas encadeadas. Essa prática Caro leitor, mostrou - me que é possível transformar muitos enfrentamentos diretos em versos, mantendo as conexões e até mesmo as relações. O que antes seria uma explosão de palavras ditas de forma talvez agressiva, encontraram vazão na arte. Muitas das minhas poesias, quando são lidas, impactam por falarem de uma realidade que por vezes eu mesma vivi e que, em alguma medida, ressoa na alma dos poucos que eu as apresento. É uma forma de dizer: 'Você não está sozinho nessa vivência', e isso, por si só, já é um ato de conexão.

Em momentos onde um questionamento direto poderia gerar atrito, a poesia se torna a minha ponte. Ela carrega a força da pergunta, a intensidade da reflexão, mas com a leveza e a beleza dos versos. É a minha forma de levar a beleza a uma situação, de transmutar o que seria indigesto em algo que convida à introspecção e ao diálogo silencioso. Ao mesmo tempo que questiono ou constato uma verdade, entendo que estou contribuindo com algo que eleva, que pacifica, que transforma. É um ato de amor pela linguagem e pela conexão humana, onde a arte se manifesta como uma ferramenta poderosa de comunicação e de cura. Por vezes, essa minha postura foi e ainda é confundida com um certo positivismo ingênuo, ou traduzida como a visão de uma 'Alice no País das Maravilhas'. Mas, essa é a minha forma de construir relações mais harmoniosas, de tecer pontes onde antes haveria abismos. 'DA JANELA DO MEU OLHAR', assim como ao escolher cada palavra para compor um soneto, é fundamental obedecer à estrutura da rima e da métrica, nas conexões pessoais e na comunicação interpessoal, se cultivássemos esse mesmo cuidado, teríamos, sem dúvida, relações mais harmoniosas e, consequentemente, viveríamos com mais paz entre nós. A arte de viver, afinal, não é tão diferente da arte de criar um poema: ambas exigem escolha, estrutura, e a intenção de transformar a matéria-prima (seja ela a vida ou a palavra) em algo belo e significativo.

NÃO VALE A PENA...focar no supérfluo e na falta, negligenciando as abundâncias já presentes. Percorri trechos de minha trajetória com os olhos fixos na escassez, nos "boletos" que se acumulavam e nas demandas que a vida impunha. Era como se a minha visão estivesse turvada, incapaz de perceber a riqueza de recursos que, paradoxalmente, eu já possuía: a liberdade do meu próprio tempo, a saúde pulsante, o acesso ao conhecimento que me liberta, e a dádiva da minha própria criatividade. Foi um longo percurso até que eu me desse conta de que a prosperidade transcende o dinheiro no bolso, manifestando-se também na possibilidade de saborear um simples sanduíche com queijo trufado em plena tarde de um domingo, no meu próprio ritmo. Ignorar essas bênçãos é empobrecer a própria experiência, mesmo que o saldo bancário grite o oposto.

NÃO VALE A PENA...viver no piloto automático, sem observar os sinais e as lições dos ciclos repetitivos. Quantas vezes me vi presa em padrões de relacionamento, profissionais e até financeiros, repetindo as mesmas dinâmicas, esperando resultados diferentes? A inércia em decifrar esses "scripts existenciais", em ver que os desafios eram, na verdade, "dicas" para um novo aprendizado, custou-me tempo e energia. É como se a vida me desse a mesma prova repetidamente, esperando que eu finalmente compreendesse a questão, em vez de apenas passar por ela sem assimilar a lição. Reconheço que essa 'cegueira' para os sinais é uma forma de autossabotagem, um apego ao conhecido que impede o fluxo de um novo padrão.

NÃO VALE A PENA...manter "máscaras" e "performances" que drenam a própria energia e impedem a autenticidade. Observei em mim mesma – e não sem uma boa dose de autoironia – a tendência de vestir personas, de sorrir quando a alma sangra, de mostrar uma "fortaleza" que não era real. Essa encenação, por mais que buscasse proteger vulnerabilidades ou se adequar a expectativas sociais, me afastava da minha verdade mais profunda. A energia gasta em sustentar esses véus é imensa e, ironicamente, mina a força que reside na vulnerabilidade autêntica. Aprendi que a liberdade emerge quando ousamos despir a alma, mesmo que isso exponha o que tememos confrontar em nós mesmos e no outro.

NÃO VALE A PENA...lutar contra o "fluxo da vida" quando a aceitação e o desapego seriam mais produtivos. Em certas frentes, como o caminho profissional que eu trilhava que por tanto tempo consumiu minha energia, insisti em remar contra uma correnteza que não me levava a lugar algum. O "não adiantou nada" foi uma constatação brutal. Essa resistência ao fluxo, essa teimosia em impor uma vontade que não se alinhava com o ritmo da existência ou com as demandas do mercado, gerou exaustão e frustração. Compreendi que, por vezes, a sabedoria reside em observar a direção da correnteza, em entender quando o esforço precisa ser de aceitação ou de redirecionamento, e não de embate. 

Entendo, é claro, não só 'DA JANELA DO MEU OLHAR', trata-se de uma verdade universal, que só conseguimos chegar a essa libertação das algemas para a transcendência destes paradigmas com um certo grau de maturidade, ou melhor dizendo: após termos ingerido invariáveis 'caldos do mar da vida'!!! Lembro-me que, em tenra idade, os 'jacarezinhos' na superfície já pareciam imensos abismos. Ah, quantos caldos somos obrigados a beber! Sou da época do Biotônico Fontoura!!! Bebi muito! E, pensando bem, não sei se serviu para alguma coisa, mas aprendi que aquele sabor, no fundo, ajudava meu paladar a saber o que era horrível de experimentar!. E esse aprendizado, o que ele me mostrou, é que NÃO VALIA A PENA... sair cuspindo, mas que a cada gole meu paladar ficava mais apurado!

É essa bagagem de sabores amargos e doces, de perrengues e de respiros, que nos lapida. A maturidade não é um ponto de chegada, mas a capacidade de reconhecer que as 'armadilhas' da existência – o foco no supérfluo, a repetição de padrões, as máscaras que nos afastam, a luta contra o fluxo – são, na verdade, os ingredientes brutos de um aprendizado essencial. É como se a própria vida, em sua infinita sabedoria, nos convidasse a ver além da dor imediata, a discernir o nutriente oculto naquilo que, à primeira vista, parece apenas indigesto. Essa perspectiva nos permite, então, não apenas identificar o que 'não vale a pena', mas, sobretudo, compreender o porquê, e a partir daí, escolher um novo caminho, mais leve, mais autêntico. Desde muito cedo, minha jornada foi marcada por uma dualidade curiosa. Embora eu me reconheça como alguém falante, com uma capacidade natural para a interação e a articulação, sempre prezei por meus momentos de leitura e solitude. Havia em mim uma tendência inata à retração, a um universo interior que me convidava à escrita. 

Na infância, meus diários eram refúgios onde, ao final de cada dia, eu depositava minhas verdades e percepções. Essa prática de registrar e refletir foi um alicerce que me acompanhou por anos. Com o tempo, a vida me convidou a aprimorar essa 'arte de observar'. Se antes eu tendia ao enfrentamento, ao confronto direto diante das dissonâncias do mundo, hoje percebo que essa energia se transformou em uma capacidade de pausar, analisar e compreender. Meu caderninho de insights, que carrego comigo desde sempre, é um testemunho dessa jornada contínua. Ele se tornou o espaço onde a observação do que acontece ao redor – seja em mim ou nas dinâmicas interpessoais – ganha forma e se aprofunda. Observar para mim, tornou-se um ato intencional. Não se trata de uma passividade indiferente, mas de uma busca ativa pelos sinais, pelas 'dicas' que os desafios nos trazem. É a capacidade de ver além da superfície, de captar a essência dos acontecimentos.

Em seguida, vem o convite à Reflexão. É o mergulho na experiência digerida, o processo de extrair sabedoria (ou pelo menos tentar), até mesmo do caos. Assim como eu esquematizava minhas respostas de prova ou estruturava dissertações, hoje eu desmonto e remonto os fatos da vida, buscando os fundamentos e as conexões que, a princípio, podem não ser óbvias. Essa é a arte de processar a experiência para que ela se torne um nutriente para a alma. E, finalmente, o clímax: Fazer da Vida Poema. A poesia, para mim, transcendeu o gênero literário para se tornar uma metodologia existencial. É a alquimia da minha alma em ação, a capacidade de transformar a matéria-prima da existência – seja ela a emoção crua de um desafio, a alegria de uma conquista, ou o 'desespero contido' de uma frustração – em algo belo e significativo. É a única forma que me resta para dar sentido ao que não tem sentido, e dar forma ao que parece informe. Quando a vida me confronta com algo 'indigesto', a resposta que brota de mim é o verso, a prosa, a arte que me permite processar, compreender e transmutar. Assim, o caos vira canção, a dor vira aprendizado, e cada passo, por mais incerto que seja, se torna um poema a ser lido, relido e, quem sabe, compartilhado.

Cada uma dessas constatações me levou a um questionamento profundo: por que resistimos tanto em ver o que 'NÃO VALE A PENA'? A resposta, acredito, reside na inércia, no medo do desconhecido e na dolorosa, mas necessária, arte de despir as próprias ilusões. O que me impulsiona, então, a buscar a outra face da moeda: a ação da observação e da reflexão.

E você, caríssimo leitor, diante do 'indigesto menu' da existência 'Da Janela do se Olhar':

Tem feito da sua vida arte, ou poema?

Quais versos brotam das suas experiências mais desafiadoras?

E como a arte da palavra pode ser a bússola para suas mais profundas transformações e para a construção de relações mais harmoniosas em sua própria jornada?

Até breve...

J.L.I Soáres


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A arte e a sabedoria de SOLTAR: desvendando o fluxo da vida e a alquimia do desapego.

SÊ DESPERTO E EM TUDO DAI GRAÇAS. Em uma jornada que se pretende autêntica, a vida nos convida a um pacto de confiança: intencionar com clareza, fazer o que nos cabe com disciplina e confiar que, se estivermos alinhados com o propósito mais profundo de nossa alma, o que é nosso chegará até nós. Parece simples na teoria, mas na prática, essa dança entre intenção, ação e entrega revela-se o cerne da autotranscedência. É a sabedoria de que não se trata de forçar o rio, mas de se tornar o rio, compreendendo que o universo conspira a favor do fluxo, não do controle

O processo de SOLTAR é, devo confessar, um dos mais desafiadores da jornada humana. Não é breve, não é linear, e a autoconsciência deste tema deve ser onipresente em todas as circunstâncias que experienciamos a cada dia. É a arte de entregar o que, por vezes, nossa mente teima em reter, seja por apego, por medo do desconhecido ou pela ilusão de controle. SOLTAR é a coragem de desamarrar os nós invisíveis que criamos em nossa alma, permitindo que a vida siga seu curso sem a necessidade de nossa constante intervenção ou validação. 'DA JANELA DO MEU OLHAR', é um paradoxo: a força reside na capacidade de ceder, de se render ao fluxo que, em sua sabedoria, sabe o que é melhor para nós, mesmo quando nossa lógica não compreende o percurso.

Ao SOLTAR, descobrimos uma potência que antes parecia inalcançável. Em muitas ocasiões, percebo que nem precisei me movimentar fisicamente para que o resultado se manifestasse. Somente intencionar com o desejo genuíno, com um propósito sincero e puro, foi o suficiente para que o universo, em sua infinita sabedoria, orquestrasse os caminhos. D’us, ou a Consciência Cósmica, é conhecedor do mais oculto em nossa alma; Ele vê as intenções que o homem, em sua condição falível, tenta disfarçar ou esconder. Ao homem é possível o engano, a auto iluminação, a performance, mas não à Consciência Cósmica. Ela, em sua plenitude, compreende a intenção por trás de cada ato, cada desejo, e responde de acordo com a pureza que se manifesta, desvelando a verdade por trás da 'máscara' humana. O SOLTAR aqui é um ato de fé e entrega profunda.

'DA JANELA DO MEU OLHAR', talvez a liberdade se manifeste QUANDO SOLTAMOS o que por muito desejamos, mas que, na verdade, é impulsionado pelo ego, por posses efêmeras e por vãs vaidades. É nesse momento de rendição consciente que a transformação acontece: ao confiarmos que a Consciência Cósmica é o maestro na orquestra da nossa vida, nos tornamos mais livres, mais leves, mais felizes. A máxima:

 'DEIXE CHEGAR, DEIXE PARTIR, DEIXE VOLTAR, DEIXE FLUIR' 

Torna-se não apenas um mantra, mas uma filosofia de vida. É SOLTAR e entender que D’us, ou a Divindade que cada um acredita, sabe do melhor em nós, e que, portanto, entregará o mais adequado para cada momento em nossa jornada. A sabedoria reside em não tentar controlar o que não nos cabe, mas em confiar no fluxo, mesmo que ele nos leve por caminhos inesperados, ou que nos retire aquilo que, por um momento, acreditávamos ser essencial."

Por vezes, relutamos em abrir mão; SOLTAR nos parece uma perda. Insistimos em manter o que precisava ir, em conquistar o que não era para nós, apenas para provar a nós mesmos, e ao mundo, que conseguimos. A troco de quê? Do tempo, da vida, da alegria de estar e sentir-se livres, sem aprisionamentos. A virtude do desapego é deveras desafiadora de desenvolver, pois confronta nosso ego e nossas expectativas, mas é muito libertadora!

Sofri por não SOLTAR, por tentar manter o que precisava ir e por insistir em conquistar o que não era para mim. Mas quando compreendi o processo e me permiti a entrega, fui muitas e infinitas vezes presenteada pelo Cosmos com valorosas chegadas e, inclusive, partidas. E todas elas enriqueceram e expandiram minha consciência e me mostraram o melhor em mim, tornando-me consciente de quem sou: o melhor processo inacabado de auto lapidação constante, o canal de manifestação das virtudes e sombras do Eu Divino que habita em mim. O esforço é bruto, o processo desgastante e por vezes sofrível, mas quanto mais praticamos o SOLTAR, mais hábeis nos tornamos, e só permanece em nossas vidas as coisas, pessoas e situações que estão para nós assim como estamos para elas, numa troca equilibrada que proporciona o crescimento e o desenvolvimento mútuo. A dor da ânsia do querer e o tédio de conquistar são o preço que se paga quando não se SOLTA.

SÊ DESPERTO E EM TUDO DAI GRAÇAS. A Alquimia da Alma nos convida a intencionar com pureza, fazer o que nos cabe com disciplina e confiar no fluxo, praticando o SOLTAR como um ato de liberdade e fé. A materialização pode acontecer não pela força da vontade, mas pela sintonia com o propósito maior.

E você, 'Da Janela do seu Olhar';

Em que áreas de sua vida você tem encontrado mais dificuldade em SOLTAR?

Qual o preço que você tem pago por não se render ao fluxo e insistir em manter o que precisa partir?

Você tem a coragem de confiar que, ao SOLTAR, a Consciência Cósmica trará o que é mais adequado para o seu propósito d'alma?


Até breve...

J.L.I Soáres

 


quinta-feira, 7 de setembro de 2023

A ÁRVORE DA VIDA

 E A JORNADA INTERIOR

    A Árvore da Vida: Um Mapa para a Jornada Interior Ao longo da história da busca humana por sentido e autocompreen são, diversas tradições de sabedoria desenvolveram complexos sistemas simbólicos que funcionam como verdadeiros “mapas para a jornada interior”. Essas cartografias da alma, sejam elas mandalas, diagramas cosmológicos ou narrativas arquetípicas, oferecem estruturas para entendermos os dife rentes níveis da realidade, os estágios do desenvolvimento da consciência e as energias que moldam nossa experiência. Elas nos convidam a ver além da superfície, a decifrar os padrões ocultos da existência e a encontrar nosso lugar no grande esquema das coisas. Dentro dessa rica tapeçaria de saberes.     

    Dentro da vasta “miscelânea de saberes” que nos auxilia a compreender a existência, a Cabala mística judaica nos oferece um de seus símbolos mais profundos e universais: a Árvore da Vida (Etz Chaim). Longe de ser apenas um diagrama estático, a Árvore da Vida é concebida como um mapa dinâ mico do cosmos e, fundamentalmente, um espelho da psique humana e da jornada da alma em sua descida à matéria e seu anseio de retorno à Fonte. 

    E esta Árvore, sob a minha perspectiva, não é um destino a ser alcançado, mas uma representação simbólica dos processos de emanação divina, dos níveis de consciência e das etapas de desenvolvimento espiritual e psicológico que 66 cada ser é convidado a percorrer. Ela se apresenta como uma verdadeira DA JANELA DO MEU OLHAR uma “cartografia da alma”, oferecendo uma estrutura para entendermos as diferentes energias, virtudes e desafios que encontramos em nossa busca por integração e significado. 

AS SEFIROT

    Atributos Divinos e Facetas da Experiência Humana A estrutura da Árvore da Vida é composta por dez esferas, conhecidas como Sefirot (plural de Sefirá), que representam atributos ou emanações através dos quais o Infinito (Ein Sof) se manifesta e interage com a criação. Cada Sefirá, desde Keter (a Coroa, a Vontade Primordial) no topo, passando por Chokmah (Sabedoria) e Binah (Entendimento), até Malkuth (o Reino, a manifestação física) na base, possui uma qualidade única e um campo de experiência associado. 

    Para além de sua dimensão cosmológica, as Sefirot podem ser vistas como arquétipos das diversas facetas da nossa própria psique e das qualidades que somos chamados a desenvolver e equilibrar em nossa vida: o amor e a compaixão (Chesed), o discernimento e a disciplina (Geburah), a beleza e a harmonia (Tiferet), a perseverança e a intuição (Net zach e Hod), o fundamento da nossa personalidade (Yesod). 

    Reconhecer e trabalhar com essas energias em nós mesmos é uma forma de “lapidar o Ser”, buscando um alinhamento mais profundo com nossa essência. Os Caminhos da Árvore: A Jornada de Integração e Ascensão As Sefirot na Árvore da Vida estão interconectadas por vinte e dois caminhos, cada um representando uma etapa, um aprendizado ou uma expe riência transformadora na jornada da consciência. 

    Percorrer esses caminhos, simbolicamente, é o processo de integrar as diversas facetas do nosso Ser, de transmutar sombras em luz e de ascender de um nível de compreensão para outro, em direção a uma maior unidade e conexão com a nossa origem divina. Essa jornada pelos caminhos não é linear nem isenta de desafios. 

    Cada senda pode apresentar provações, confrontos com aspectos não resolvidos de nós mesmos e a necessidade de equilibrar polaridades, como o dar e o receber, a intuição e a razão, a misericórdia e o julgamento. 

    É um convite 67 constante ao autoconhecimento, à coragem de enfrentar o desconhecido interior e à perseverança na busca pela integração e pela expressão mais plena do nosso potencial. Assim como outras tradições de sabedoria exploradas ao longo desta obra, a Cabala, com sua rica simbologia e profundidade psicológica e espiritual, apresenta-se como mais uma valiosa ferramenta em nossa “miscelânea de saberes”. 

    Ela nos oferece uma linguagem para explorar os mistérios da alma, um mapa para navegar pelas complexidades da consciência e uma perspectiva sobre nosso papel na tapeçaria da criação. A sabedoria cabalística, quando abordada com um coração investigativo, pode iluminar nossa jornada pessoal, oferecendo insights que dialogam e se complementam com os de outras filosofias, psicologias e caminhos espirituais. 

É mais uma “janela” através da qual podemos contemplar as infinitas nuances do Ser e do universo, enriquecendo nossa própria “cartografia” interior. “Quanto mais nos encerramos em uma única ideia, menos sabemos da vastidão da existência”.

E você Caro leitor, Já conhecia essa ferramenta de "Elevação espiritual"?


Até Breve...

J.L.I Soáres

terça-feira, 11 de julho de 2023

8 ou 80: O EQUILÍBRIO COMO EUFEMISMO PARA O MEDO

E A Matemática da Intensidade

Dizem que o equilíbrio é a virtude suprema. Crescemos ouvindo que ser "8 ou 80" é um defeito de fábrica, um sintoma de imaturidade emocional ou de falta de temperança. "A vida acontece nos tons de cinza", repetem os moderados, "entre o 8 e o 80, existem 72 possibilidades. Por que ignorá-las?"

Eu não as ignoro. Pelo contrário. Foi justamente por analisar, vivenciar e dissecar cada uma dessas 72 possibilidades que eu decidi, conscientemente, abandoná-las.

A minha intensidade não é fruto de cegueira, mas de uma visão cristalina sobre o desperdício que é viver no morno.

Vamos olhar para anatomia da mediocridade, o que existe nesse "meio-termo" tão idolatrado pela sociedade moderna. O que reside entre o Zero (o silêncio absoluto) e o Cem (a entrega total)?

Ali moram o "talvez", o "vamos ver", o "quem sabe um dia". Ali moram os relacionamentos que não atam nem desatam, os cafés mornos que não queimam a língua mas também não acordam a alma, as paixões que pedem "tempo" porque têm medo da eternidade. As 72 possibilidades são o purgatório da existência. É a sala de espera onde a vida é colocada em suspensão. É onde as pessoas "vão levando", onde se aceita dividir a cama mas não a alma, onde se racha a conta do jantar mas não se assume a conta do destino.

Eu caminhei por esses números. Eu tentei habitar o número 40, o número 55. E o que encontrei lá foi o tédio travestido de prudência. Encontrei a covardia maquiada de "paz".

Muitas vezes, o que chamam de equilíbrio é apenas falta de coragem para sangrar. Quem vive no 80 corre o risco de quebrar a cara? Sim. A queda é alta. Quem vive no 8 corre o risco da solidão absoluta? Sim. O silêncio é vasto. Mas ambos, o 8 e o 80,  são reais. São palpáveis. Têm textura, temperatura e verdade.

O "meio-termo" é anestesia. É a tentativa infantil de viver sem pagar o preço da vida. É querer amar sem o risco da perda, querer escrever sem o risco da crítica, querer fé sem o risco da dúvida. Eu recuso essa barganha.

Quando eu digo que sou 8 ou 80, não estou dizendo que sou desequilibrada. Estou dizendo que sou seletiva. Ou a experiência é visceral o suficiente para me transformar (80), ou ela é irrelevante o suficiente para que eu a ignore completamente (8). Não tenho tempo, nem energia vital, para investir no número 36,  aquela situação que "não é ruim, mas também não é boa".

A morte é a única certeza que temos (o derradeiro número 0). E diante da finitude, gastar os meus dias negociando com a mediocridade das 72 possibilidades intermediárias me parece o verdadeiro pecado.

Não é coincidência que, até nos textos sagrados, a indecisão seja condenada com mais veemência do que o erro. "Porque não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca" (Apocalipse 3:16). O universo (ou Deus, ou a Física Quântica) respeita o movimento. Respeita a definição. A água ferve a 100 graus ou congela a 0 graus. Nos dois estados, ela é poderosa: ou gera vapor que move locomotivas, ou vira gelo que preserva a vida ou rasga o casco de navios. A água a 50 graus serve apenas para proliferar bactérias.

Portanto, não me peçam para "encontrar o meio-termo". Eu já estive lá, visitei o mapa inteiro, e não gostei da paisagem. Eu escolho a vertigem do topo ou a paz da base. Eu escolho a presença absoluta ou a ausência total. Eu escolho ser amada com fúria ou ser esquecida com respeito.

Fiquem com as suas 72 nuances de "talvez". Eu fico com a minha certeza.

E você; Caro leitor,

Se a água morna serve apenas para proliferar bactérias e o tempo não para, me diga: o que você está cultivando na sua vida hoje? Potência ou estagnação? Em qual número você estacionou a sua coragem?

Até breve.

J.L.I


Propósito

Onipotência Divina e Existência Do Mal: Uma Crítica à perpetuação Teológica

Caros Leitores, Este ensaio é parte de uma atividade acadêmica que estou resgatando e publicando aqui no blog. Faz parte de meus estudos em ...