segunda-feira, 15 de agosto de 2022
SE O UNIVERSO REPETE É PORQUE É IMPORTANTE
sexta-feira, 17 de junho de 2022
OS PALCOS DA EVOLUÇÃO
As performances da iluminação e a autenticidade da fé em nossa jornada de autoconsciência
Como andarilhos curiosos em meio às múltiplas vias de desenvolvimento pessoal e espiritual, temos a oportunidade de observar dinâmicas singulares. É como se a busca pela autoconsciência se desdobrasse em um grande palco, onde a complexidade da psique humana e os desafios do despertar se revelam em atos, por vezes, curiosos e quase teatrais. Nessas arenas, a distinção entre a forma e a essência do processo pode se tornar sutil, mas é crucial para quem busca a verdade.
Em alguns desses ambientes, observamos uma dualidade intrigante nos papéis. De um lado, surgem instrutores e líderes com uma persona que por vezes beira o transcendental. Com um olhar que se pretende 'cristalino', uma postura serena e uma voz que parece embalar a alma, eles se apresentam como faróis de sabedoria, personificando uma compreensão e uma paz quase etérea. É um 'ar' de quem detém o mapa da iluminação, projetando uma imagem de pura 'luz' e compaixão.
Do outro lado do palco, encontramos os alunos, os 'buscadores', que, em uma condição de vulnerabilidade, por vezes se posicionam em um 'jardim de infância' espiritual, na expectativa de serem guiados pela mão rumo a uma verdade absoluta. Há uma entrega, sim, mas também a esperança de que a transformação venha de fora, de que a 'chave da iluminação' lhes seja entregue sem o próprio labor. Essa dicotomia entre o 'mestre' idealizado e o 'aluno' que se infantiliza cria um terreno fértil para projeções e autoengano coletivo. Uma dinâmica que, 'DA JANELA DO MEU OLHAR', nos convida a indagar: será que a busca pela autenticidade se manifesta mais como performance do que como uma transformação profunda e integrada do Ser?
A vivência nos confronta com a distinção entre forma e essência, especialmente no que tange à fé aplicada. Observamos cenas que se repetem e que provocam uma reflexão sobre o sentido que damos ao 'templo' e à 'santidade'. Pessoas em situação de vulnerabilidade buscam auxílio nas escadarias das igrejas, vendo o templo como um ponto estratégico para a subsistência, não um local para a súplica divina. Isso nos lembra que a essência do 'templo' transcende as paredes físicas; ela reside em nós e, em especial, no cuidado com o outro.
A questão da vestimenta é outro exemplo dessa dualidade. Há quem se recuse a adentrar um espaço sagrado por não estar com o traje 'apropriado', perdendo a oportunidade de um momento de prece. Qual fé é mais autêntica: a que se prende à forma ou a que, talvez sem o 'traje ideal', vive a essência da compaixão? A busca por uma 'roupagem teatral' ou uma performance de santidade pode, por vezes, ofuscar a beleza de uma fé mais simples, mais nua, mais real, que se manifesta nos atos de caridade e na compaixão que se estende para além dos rituais. É o reconhecimento de que a verdade se manifesta sem necessidade de exibicionismo.
Um exemplo dessa
dinâmica ocorreu em uma aula onde a instrutora, com a voz melodiosa e tom
amoroso que parecia ser a quintessência da empatia celestial, dissertava sobre
a importância de se conectar com o próximo. E, em seguida, uma colega, com um
ar de quem acabara de descobrir a pólvora, compartilhou com ares de revelação:
"Ah, eu cumprimento meu porteiro todos os dias pelo nome! E ele fica me
olhando...". Ela claramente esperava uma ovação por esse feito hercúleo de
empatia e humanidade, insinuando que tal gentileza seria algo único e raríssimo
no universo.
Naquele instante,
confesso que minha ironia interna quase me fez explodir. Pensei comigo:
"Ora, talvez o olhar dele não seja tão somente de gratificação...
Primeiro, quem sabe seja um crush?" Ou, num cenário mais pragmático
e digno de uma boa vindita, "Talvez ele esteja maquiando uma bela vingança
porque soube que na reunião de condomínio anterior ela objetou o aumento de
salário dele!". Claro que não falei nada disso! Senão seria expulsa do curso de desenvolvimento
espiritual por "dissonância vibracional" ou "falta de
compaixão".
'DA JANELA DO MEU OLHAR', esses 'espetáculos' de uma santidade forçada podem causar desconforto, pois a verdade não exige tal exibicionismo. A energia gasta em sustentar esses véus é imensa e, ironicamente, mina a força que reside na vulnerabilidade autêntica. A busca pela 'miscelânea de saberes' é crucial para discernir o que é genuíno: ela nos convida a ver através das nossas próprias máscaras autoimpostas e das que nos são apresentadas, para reconhecer e valorizar aquelas manifestações simbólicas que buscam revelar uma centelha da verdade maior. A jornada, então, consiste em transitar do uso de máscaras 'para se esconder' para uma existência onde nossas expressões e papéis se tornem cada vez mais transparentes à nossa essência, revelando, em vez de ocultar, a complexidade que nos compõe em nossa humanidade integral.
Em nossa busca contínua por autoconsciência, o convite é para uma observação atenta do palco onde o despertar se encena. Que possamos discernir entre a melodia que embala e a verdade que liberta, cultivando a humildade de reconhecer a própria jornada e as próprias imperfeições. A real sabedoria, afinal, reside na congruência entre o ser e o agir, no desvelamento da alma e na coragem de viver a própria verdade, sem a necessidade de performance ou de aprovações externas.
Nessa complexa jornada de autoconsciência, onde a busca pelo despertar se confronta com as performances e as expectativas, a verdade sobre o que somos e o que aparentamos ser clama por ser desvelada. A distinção entre a forma e a essência, entre o 'mostrar' e o 'ser', torna-se um desafio constante. É nesse ponto que a arte, em sua crueza e beleza, oferece um espelho implacável.
Para uma reflexão ainda mais visceral sobre os véus que vestimos e as verdades que por vezes ocultamos em nossa busca, convido você a mergulhar nos versos de 'Máscara Divina'. Este poema, que também faz parte da minha obra 'Da Janela do Meu Olhar', é uma constatação poética sobre a hipocrisia que, por vezes, se disfarça de santidade, e a forma como a aparência pode reinar sobre a essência, ofuscando o amor e a genuína doação.
E 'Da Janela do seu Olhar';
Em sua própria jornada de despertar, você tem percebido a 'voz melodiosa' de mestres ou a 'vulnerabilidade infantil' em alunos?
Como você tem discernido a 'forma' da 'essência' em sua fé e em suas práticas de autoconhecimento?
Em que medida as 'máscaras' que você veste no dia a dia revelam ou ocultam a sua mais profunda autenticidade?
Até breve...
J.L.I Soáres
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quinta-feira, 19 de maio de 2022
OS LAÇOS E OS NÓS EMOCIONAIS
OS LAÇOS:
Quando falamos de sentimentos sempre temos a intenção de: Se um dia eu me deparar com um amor tão intenso e profundo, terei coragem de persegui-lo...Mas quando de fato nos deparamos, na vdd não temos coragem, quer seja pelos traumas, dores e decepções já vividas, quer seja pelo ego ou medo de enfrentar mais uma frustração e sentir que não temos força pra suportar mais uma. Fato é que o AMOR é a arte de DOAR-SE, sem querer nada em troca, tampouco a reciprocidade desse sentimento, AMAR É SE ENTREGAR SEM APRISIONAR, é sentir perto mesmo longe, é tanta coisa, mas a única coisa que amor não é, é dor.
Ou somos capazes de amar ou não.
OS NÓS:
Ao final, é simples: a pessoa que o merece é aquela que, tendo a liberdade de escolher, se aproxima de você, o aprecia e dedica a você seu tempo e seus pensamentos. NINGUÉM PODE FAZÊ-LO INFELIZ SEM O SEU CONSENTIMENTO.
A ferramenta mais poderosa para lutar contra a injustiça emocional e a indiferença é a determinação pessoal. Ela deve ser acompanhada de amor próprio, de autoconhecimento e de reflexões sobre os sentimentos, desejos e comportamentos próprios e alheios.
Você jamais terá um banquete se fica farto com as migalhas. Jamais será levado a sério se romantiza joguinhos e justifica vácuos e perdidos. Nunca se esqueça que ofereceu chances e elas foram desperdiçadas, todas elas. Não se distraia das sensações ruins que a porta giratória te causou, e não caia na tentação de duvidar das cicatrizes que ela deixou.
Mas antes de sair fazendo cobranças e exigências, estabelecendo regras e impondo ultimatos, experimente simplesmente sair da porta giratória e veja o que acontece. Ao invés de esperar uma mudança de atitude do outro, mude você. O coração não precisa viver em compasso de espera, dando chances e mais chances a alguém que simplesmente não se importa. Se o outro se importasse, a porta não giraria.
Nessa intrincada tapeçaria de laços e nós, que se passa nas profundezas do nosso psiquismo, observamos também o ciclo da compulsão à repetição, o que nos possibilita o alerta da tendência a revivermos padrões dolorosos, sejam eles de relações que não se sustentam, de doações não retribuídas ou de migalhas que não saciam, não é mero acaso. 'DA JANELA DO MEU OLHAR' o inconsciente buscando, incessantemente, elaborar traumas não resolvidos, ressignificar feridas primárias ou, paradoxalmente, reproduzir o conhecido, mesmo que doloroso.
É como se a psique, em sua sabedoria tortuosa, tentasse 'masterizar' aquilo que a feriu, mas, sem consciência, apenas reencenasse o drama. O medo de enfrentar o novo, a crença de não ser merecedor(a) de um banquete, ou a dificuldade em reconhecer o próprio valor, podem ser os verdadeiros 'nós' que nos impedem de desatar as amarras e sair da porta giratória que nos leva sempre ao mesmo ponto.
'DA JANELA DO MEU OLHAR' é nesse cenário que os conceitos de Sombra e Anima/Animus, acrescentaria camadas à nossa compreensão. Aquilo que nos incomoda no outro, a indiferença, a incapacidade de doar, a aversão à profundidade, pode ser um espelho de aspectos não reconhecidos ou negados em nós mesmos, projetados no parceiro.
A 'porta giratória' de relacionamentos que se repetem, onde a dinâmica de não reciprocidade persiste, pode ser um convite do Self para integrarmos a nossa própria capacidade de solidão saudável, de autossuficiência emocional. O desapego, sob essa ótica, não é uma fuga do afeto, mas um ato de coragem em aceitar que o outro é um ser autônomo e que sua 'ausência' pode ser, em si, um chamado à plenitude individual.
É a desilusão do objeto externo que nos força a buscar a fonte de amor dentro de nós mesmos, onde a oferta e a demanda encontram-se em equilíbrio perfeito.
Assim, uma ferramenta poderosa para lutar contra a injustiça emocional e a indiferença, pode ser a determinação pessoal, alicerçada no amor próprio e no autoconhecimento. Não é mais sobre a busca incessante por um 'outro' que nos complete, mas sobre a completude que construímos em nós, aceitando a nós mesmos em todas as nossas dualidades. 'Amar é simplesmente Amar!!', em sua essência, liberta o amor de qualquer condicionalidade.
Ele se torna um fluxo, um transbordar do Ser, não uma barganha. A cura para as feridas da alma, e para os 'nós' que amarram o coração, reside na compreensão de que somos 'o melhor processo inacabado de auto lapidação constante, o canal de manifestação das virtudes e sombras do Eu Divino que habita em mim'.
E essa lapidação contínua é a maior prova de que o tempo jamais será perdido, pois cada experiência, cada lágrima, cada sorriso, cada partida e cada chegada, nos modifica para sempre, expandindo nossa consciência em uma jornada infinita de ser e amar.
PS: Não tem como ser um erro se foi um caminho. Não tem que haver arrependimento se você deu o seu melhor. Não tem que sentir culpa, se você foi de verdade. E AINDA; NÃO TEM COMO ACHAR QUE FOI TEMPO PERDIDO SE DE ALGUMA FORMA TE MODIFICOU PARA SEMPRE.
E 'Da Janela do seu Olhar';
Quais 'nós' você tem percebido em suas relações que, talvez, sejam um convite para o seu próprio autoconhecimento?
O que a 'porta giratória' de suas experiências tem tentado te ensinar sobre o desapego e o amor-próprio?
Em sua jornada, você tem acolhido a complexidade do 'soltar' como um ato de liberdade, ou ainda resiste aos seus ensinamentos?
Até breve...
J.L.I Soáres
domingo, 8 de maio de 2022
PORQUE RETOMEI ESSE TRAJETO?...RETROAGIR NEM SEMPRE É REGREDIR!
A sabedoria dos ciclos, o aprendizado contínuo e a evolução em espiral
Em nossa jornada pela vida, quantas vezes nos deparamos com um impulso, uma vontade quase visceral, de retomar um trajeto que já havíamos percorrido? Seja uma linha de estudos, um hobby antigo, uma prática que parecia ter ficado no passado. O senso comum, por vezes, nos sussurra que 'retroceder' é 'regredir', um sinal de fraqueza ou de falta de foco. Mas, 'DA JANELA DO MEU OLHAR', me questiono: será que essa máxima linear é, de fato, a verdade em uma existência que se manifesta em ciclos? Ou será que o retorno, em sua essência, pode ser a mais profunda forma de avanço e lapidação do Ser?
A vida, em sua sabedoria intrínseca, não opera em linha reta. Ela se move em espirais, em ciclos, em fluxos de ida e volta, de expansão e recolhimento. 'DA JANELA DO MEU OLHAR', percebo que essa dinâmica se reflete em nossos próprios processos de aprendizado e amadurecimento. Quantas vezes, ao longo de nossa trajetória, sentimos que um conhecimento ou uma experiência 'não deu em nada', que foi um 'tempo perdido', apenas para, anos depois, percebermos que aquilo era um alicerce fundamental para um novo insight, uma nova compreensão?
Essa é a grande ilusão do 'não ir para frente'. Acreditar que só há avanço quando o caminho é novo e ininterrupto é desconsiderar a riqueza do que já foi vivido e 'assimilado'. O que antes parecia um desvio, uma 'perda de tempo', se revela, com a bagagem de novas vivências, um solo fértil que aguardava o momento certo para germinar novas compreensões. Não se trata de regredir ao que já se foi, mas de revisitar com uma nova consciência, uma nova perspectiva, o que já é parte de nosso 'mosaico'.
O ato de retomar um trajeto não é, necessariamente, uma admissão de derrota ou de que a 'primeira tentativa' foi um fracasso. Ao contrário, é um ato de maturidade e de autoconhecimento. Pensemos: o quanto aprendemos quando nos permitimos revisitar um livro, um conceito, uma disciplina, que em outro momento não fez sentido? É a mesma obra, sim, mas somos nós quem mudamos. A nossa bagagem de experiências, a nossa 'miscelânea de saberes' acumulada, nos permite enxergar novas camadas, fazer novas conexões, e extrair uma sabedoria que antes estava velada.
É como o alpinista que, para alcançar um pico mais alto, precisa, por vezes, refazer parte do caminho, recalibrar a bússola, ou até mesmo descer um pouco para encontrar uma rota mais segura e eficaz. Não é retrocesso; é estratégia. O retorno a um antigo estudo ou interesse não significa que o anterior 'não serviu', mas que ele preparou o terreno para uma compreensão mais profunda, mais aplicável, mais alinhada ao nosso propósito atual. A Alquimia da Alma nos ensina que a transmutação não é linear; é um processo de refino contínuo, onde o 'bruto' revisitado pode se tornar o 'ouro' em uma nova fase.
A vida nos convida a uma 'espiral do aprendizado', onde cada ciclo nos eleva a um novo patamar de consciência. O que vivenciamos, o que estudamos, o que praticamos, tudo 'conta'. Não há experiência que seja verdadeiramente 'perdida', se a ela dedicamos a observação e a reflexão. Mesmo aquilo que não 'avançamos' em um sentido linear, como um curso que não foi finalizado ou uma paixão que ficou em suspenso, deixa marcas, deixa saberes, deixa 'fragmentos de alma' que, em um momento de Kairós, podem se reintegrar para dar novo sentido à nossa jornada.
Retomar um trajeto é, portanto, um ato de coragem e de sabedoria, um reconhecimento da complexidade da existência e da fluidez do nosso próprio Ser. Não se trata de negação do passado, mas de sua integração consciente. É a prova de que nossa jornada é um 'processo inacabado de auto lapidação constante', onde o aprendizado é contínuo, e a evolução se manifesta de formas que nem sempre nossa mente limitada consegue prever. A liberdade reside em abraçar essa espiral, sem medos, sem julgamentos, e com a certeza de que cada passo, mesmo que pareça um retorno, pode ser um avanço em direção à nossa mais autêntica manifestação.
E 'Da Janela do seu Olhar';
Em sua jornada, você já sentiu o chamado para retomar um trajeto que parecia ter ficado no passado?
Em que medida o 'retrocesso' em sua vida se revelou, em retrospecto, um 'avanço' disfarçado
Qual 'antigo saber' ou 'paixão' você sente que hoje, com sua nova consciência, poderia revisitar para lapidar sua alma?
quinta-feira, 5 de maio de 2022
A DIPLOMACIA DO INVISÍVEL
QUANDO O HO'OPONOPONO RESOLVE O QUE O EGO NÃO ALCANÇA
Um estudo de caso sobre Física Quântica, Projeção Psicológica e como limpei uma hostilidade gratuita usando apenas a tecnologia do perdão.
Caro leitor;
Existe um ditado popular que diz: "Quando um não quer, dois não brigam". Mas a Mecânica Quântica vai além: "Quando um muda a frequência, o outro é obrigado a recalcular a rota."
Vivi uma experiência no mundo corporativo que desafiou a lógica cartesiana e provou, na prática, que as batalhas mais violentas não são travadas com palavras, mas com vibração.
Eu trabalhava no estande de vendas de uma construtora. O ambiente era competitivo, mas cordial. Exceto por uma variável: "Marina" (nome fictício). Sem qualquer motivo aparente, essa colega nutria uma aversão gratuita por mim. Não era apenas indiferença; era uma hostilidade ativa. Ela cumprimentava a todos pelo nome, sorria, brincava. Quando chegava em mim, o silêncio era sepulcral. Eu era invisível para o ego dela.
Perguntei-me inúmeras vezes: "O que eu fiz? Eu nem faço parte do círculo social dela. Eu não ameacei o território dela. Por que esse ódio?"
Carl Jung, o pai da Psicologia Analítica, nos daria a resposta imediata: Projeção. "Tudo o que nos irrita nos outros pode nos levar a uma compreensão de nós mesmos."
Quando alguém nos odeia "de graça", geralmente estamos personificando algo que essa pessoa rejeita nela mesma (a Sombra) ou algo que ela deseja ter, mas não consegue (a Inveja/Admiração reprimida). Eu era o gatilho da neurose dela.
Mas entender isso intelectualmente não resolve o clima pesado de um plantão de vendas. Eu precisava de uma intervenção. Não uma DR (Discutir a Relação), mas uma intervenção energética.
Na época, eu estudava Mecânica Quântica e os ensinamentos do Professor Hélio Couto sobre limpeza de memórias. Decidi testar a "ferramenta havaiana" de resolução de conflitos: o Ho'oponopono.
Diferente do que muitos pensam, o Ho'oponopono não é um mantra de submissão. Desenvolvido em sua forma moderna por Morrnah Simeona e popularizado pelo Dr. Ihaleakala Hew Len, ele parte da premissa da Autorresponsabilidade Radical.
A lógica é: se essa pessoa está na minha realidade me agredindo (mesmo que com silêncio), existe alguma memória em mim que está ressoando com a memória dela. Eu não limpo o outro; eu limpo a parte de mim que compartilha essa realidade com o outro.
Durante dois dias, no trajeto para o trabalho, entrei em estado meditativo. Não pedi para Deus mudá-la. Não pedi justiça. Fiz algo mais ousado.
Mentalizei o Chakra Cardíaco de Marina. Enviei uma luz rosa (amor incondicional) e, em seguida, uma luz verde (cura). E repeti o mantra, não como uma reza, mas como um comando quântico de limpeza de dados:
"Divino Criador, limpa em mim as memórias reensinadas que compartilho com a Marina que causam essa aversão. Sinto muito. Por favor, me perdoe. Sou grata. Eu te amo."
Eu não estava "passando pano" para a falta de educação dela. Eu estava dissolvendo o nó energético que nos mantinha presas naquele ciclo de ação e reação.
Por que isso funciona? Nikola Tesla, o gênio da eletricidade, disse:
"Se você quiser descobrir os segredos do Universo, pense em termos de energia, frequência e vibração."
Somos feitos de átomos. Átomos são 99,9% vazio (energia). Quando eu altero a minha frequência através da intenção e do sentimento (o verdadeiro segredo da oração), eu altero o campo eletromagnético ao meu redor.
Na Física Quântica, o Efeito Observador dita que o ato de observar altera o comportamento das partículas. Ao mudar meu "olhar" sobre Marina (deixando de vê-la como inimiga e vendo-a como um ser que precisava de cura), eu obriguei a realidade a se reorganizar. O "emaranhamento quântico" entre nós mudou.
No segundo dia, cheguei ao estande. Marina estava organizando a escala. O clima era o de sempre. Até que, de repente, ela olhou para mim e disse, em alto e bom som:
— "Julie, você pode ver isso aqui?"
O estande parou. Foi uma daquelas cenas de novela onde a música cessa. Todos sabiam que ela nunca me chamava pelo nome, muito menos pelo meu apelido carinhoso, "Julie".
Vi o espanto nos olhos dos colegas. Mas o mais chocante foi ver o espanto nos olhos dela. Ela parecia surpresa com as próprias palavras, como se tivesse sido "hackeada" por uma força maior. O inconsciente dela reagiu à limpeza antes que o ego dela pudesse erguer a barreira. Daquele dia em diante, nunca fomos melhores amigas. Mas o ódio? Evaporou. O cumprimento tornou-se diário. A guerra fria acabou sem que um único tiro verbal fosse disparado.
Recentemente, orientei uma amiga que precisava ter uma conversa difícil com o ex-marido sobre os filhos. A animosidade era a regra.
Disse a ela: "Não vá para a guerra armado apenas com argumentos lógicos. O ego dele vai rebater. Vá armada com energia. Antes da conversa, faça o Ho'oponopono. Visualize-o recebendo a notícia com paz. Limpe em você a raiva que você sente dele."
Dito e feito. A conversa, que tinha tudo para ser um desastre, fluiu como um rio calmo. Ele acolheu, entendeu e concordou.
Muitas vezes, tentamos resolver problemas energéticos com soluções tridimensionais (conversas, brigas, e-mails, processos). É como tentar consertar um software quebrado limpando a tela do computador.
A lição que fica, validada pela minha experiência e pela ciência, é que não precisamos ser reféns do mau humor alheio.
Se você tem uma "Marina" no seu trabalho ou na sua vida, pare de tentar entender "por que" ela não gosta de você. O "porquê" pertence ao ego. Foque no "como" resolver. E a resolução começa dentro.
Limpe a memória. Mude a frequência. E assista, de camarote, o Universo (e a pessoa) se reajustarem à sua nova vibração.
O amor, afinal, não é apenas um sentimento poético. É a força física mais potente da natureza.
Mas a pergunta que não quer calar: O Dilema Ético: Isso foi Manipulação Mental ou Violação do Livre-Arbítrio?
Aqui, o leitor atento (e ético) deve estar se perguntando: "Mas Jú, ao fazer isso, você não invadiu a mente dela? Você não manipulou o livre-arbítrio dela de não gostar de você?"
Essa é a linha tênue que precisamos traçar com clareza cirúrgica.
Se eu tivesse mentalizado: "Marina vai gostar de mim, Marina vai me elogiar, Marina vai fazer o que eu quero", isso seria Magia Simpática (ou manipulação psíquica). Eu estaria tentando impor a minha vontade sobre a vontade dela. Isso gera carma e viola a soberania do outro.
Mas o Ho'oponopono opera na via oposta. Eu não pedi nada para ela. Eu pedi para mim.
O comando foi: "Divino Criador, limpa EM MIM o que está gerando essa situação."
A lógica é a da Ressonância. Para que ela me odiasse, precisava haver um "gancho" em mim (uma memória, uma insegurança, uma vibração) onde o ódio dela pudesse se pendurar. O que eu fiz foi remover o gancho. Sem o gancho, o ódio dela caiu no chão por falta de sustentação.
Eu não tirei o livre-arbítrio dela. Ela continuou livre para me odiar se quisesse. Mas, ao mudar a minha frequência, eu deixei de fornecer o "combustível" para a antipatia dela. Eu limpei a vidraça suja através da qual nos olhávamos. Se ela passou a me ver melhor, não foi porque eu a forcei, mas porque eu parei de projetar a sombra que escurecia a visão dela.
Portanto, limpar a própria energia nunca é manipulação; é higiene relacional.
E, "Da Janela do seu Olhar" caro leitor;
Diante de alguém difícil, você gasta sua energia tentando entender o porquê ou focando em como resolver dentro de si?
Você acredita que tem o poder de mudar a realidade ao seu redor mudando apenas a sua vibração, ou ainda espera que o outro mude primeiro?
Até breve...
J.L.I Soáres
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quinta-feira, 17 de março de 2022
A IMPLACÁVEL PROVA DA ALQUIMIA DA ALMA
Por sermos eternos rascunhos
A Alquimia, em sua essência mais profunda, sempre foi a busca incansável pela transmutação do imperfeito no perfeito. Longe da quimera de transformar chumbo físico em ouro material, essa arte milenar sempre apontou para uma verdade muito mais sublime: a capacidade de refinar a própria substância, de purificar o que é bruto em algo de valor inestimável.
A Alquimia é a arte de transformar as coisas com a ajuda da natureza, e essa natureza se manifesta em múltiplas dimensões: no plano material, na substância dos nossos hábitos e da nossa saúde; no plano mental, na lapidação dos nossos pensamentos e crenças limitantes; e no plano espiritual, na purificação dos nossos desejos e intenções, expandindo a consciência. A verdadeira transformação é o coração da Alquimia.
Essa nossa "tortuosa" busca pela excelência interior não é aleatória; ela se baseia em leis universais, processos que, assim como a ciência busca entender os fenômenos naturais, nos convidam a decifrar a dinâmica da nossa própria transformação. Desde as civilizações antigas – Egípcios, Romanos, Mesopotâmia, Persas, essa ânsia por transmutação é universal e atemporal.
O Hermetismo, fundamentado em estudos espirituais, astrológicos e metafísicos, com Hermes Trismegisto, o 'Três Vezes Grande', como figura central, nos ensina que essa filosofia é mercurial: o elemento mercúrio está sempre associado a outro elemento no universo, uma ponte para a ideia de interconexão, de fluidez. É uma visão interna da essência divina, que não se prende a dogmas esotéricos, mas abraça a busca por autoconhecimento rigoroso, disciplina e a coragem de enfrentar as próprias 'sombras' e imperfeições.
Os princípios herméticos: Sal, Enxofre e Mercúrio, oferecem a 'ciência' dessa Alquimia Interior. O Sal representa o corpo físico, a matéria densa que precisa ser refinada em hábitos e presença. O Enxofre é a alma, o espírito, o desejo, a paixão que impulsiona, que clama por purificação de intenções e emoções.
E o Mercúrio é a mente, a consciência, a inteligência, o discernimento – a ponte que une corpo e alma, lapidando crenças limitantes para expandir a percepção. A transformação do 'chumbo em ouro' no plano humano é, portanto, transmutar o corpo em vitalidade, a alma em pureza de intenções, e a mente em clareza e sabedoria.
E quanto ao desejo cego de 'manipular' a realidade? Aquela velha ilusão da materialização sem burilamento, que muitas vezes, sem a compreensão da Alquimia como autoaperfeiçoamento, nos atraem quer seja pelo "pensamento mágico", pela busca por 'atalhos' ou pelas 'soluções mágicas' que prometem resultados externos sem o trabalho interno?!
Quantos de nós já buscamos fórmulas prontas para materializarmos o que queremos, ignorando a própria energia que emanamos? As abordagens populares, sem que sejam julgadas em si mesmas, que por vezes prometem 'atrair', 'manifestar' ou 'manipular energias' para obter resultados externos, dinheiro, relacionamentos, sucesso, sem exigir uma transformação interna prévia.
Em todo esse cenário, a Lei de Causa e Efeito, um princípio universal, se faz presente: 'Toda causa tem seu efeito, todo efeito tem sua causa.' A 'causa' primordial para a materialização não reside em rituais vazios ou em pensamentos superficiais, mas na energia interna e no nível de autoconsciência.
'DA JANELA DO MEU OLHAR', se a energia que emanamos está 'suja' de autoengano, de um ego inflado e de fugas da realidade, a 'materialização' será também um rascunho, uma ilusão, ou até mesmo um sofrimento disfarçado. A busca por resultados externos sem o autoconhecimento pode ser uma projeção, uma fuga da responsabilidade individual, a ilusão de que o 'universo' ou 'magia' fará o trabalho por nós.
'ACORDEMOS!': Será que estamos pedindo ao universo para construir um castelo com areia movediça? A verdadeira magia não está em manipular o externo, mas em transmutar o interno. A materialização é um reflexo do Ser, não de um feitiço.
Compreendermos que a 'miséria humana' não se erradica com meras intenções, mas com a lapidação da própria substância, já é sabedoria popular consolidada que este é o primeiro passo para a verdadeira Alquimia da Alma. Viver como um 'rascunho' tem um preço alto.
O custo da não perfeição aceita, essa busca incessante por uma imagem externa de completude, nos leva a esconder quem realmente somos e a não reconhecer a beleza e a potência nas nossas próprias falhas e nos processos da vida. A angústia existencial da liberdade não exercida se manifesta no peso de um ego em busca de validação constante.
É como se nos vendessem uma perfeição inatingível, e a comprássemos, dia após dia, com nossa energia, nossa autenticidade e, por fim, nossa própria vida.
Qual o custo real de viver uma fantasia?
Cada mentira que contamos a nós mesmos, cada fuga da nossa verdade, é um tijolo a mais no muro da nossa própria prisão. A autenticidade não é um luxo, é a nossa liberdade. A maior prisão não é o que os outros veem, mas o que nos recusamos a ver em nós mesmos. A cada falha mascarada, apagamos uma parte da nossa própria luz.
Observo em mim mesma, e não sem uma boa dose de autoironia, a tendência de vestir personas, de sorrir quando a alma sangra, de mostrar uma 'fortaleza' que não nem sempre é real. Essa encenação, por mais que buscasse proteger vulnerabilidades ou se adequar a expectativas sociais, me afastava da minha verdade mais profunda. A energia gasta em sustentar esses véus é imensa e, ironicamente, mina a força que reside na vulnerabilidade autêntica.
É hora de pararmos de fugir do espelho. Nosso ego, obeso de elogios vazios, nos aprisiona numa gaiola dourada. E a arte, que deveria libertar, vira mais uma cela para fugir de nossa essência. Quanto tempo mais vamos desperdiçar fugindo do espelho, da confrontação com a nossa própria sombra?
Quando iremos aprender que a liberdade emerge quando ousamos despir a alma, mesmo que isso exponha o que tememos confrontar em nós mesmos e no outro. Esse não seria o caminho para transformar o rascunho em uma obra-prima? 'DA JANELA DO MEU OLHAR', e, convenhamos, todos conhecemos essa premissa (só não internalizamos), a obra-prima não surge por mágica, mas pela coragem diária de lapidar o que há de mais bruto em nós.
Não esperemos um 'mestre' externo; somos o alquimista da nossa própria alma. A 'COR+AGEM' de agir com o coração é o primeiro passo para rompermos com os paradigmas que nos afastam de nossos sonhos genuínos. Que tal pararmos de tentar ser farol na escuridão alheia antes de iluminar nossa própria 'ETERNA NOITE ESCURA DA ALMA'. 'DA JANELA DO MEU OLHAR', a maior contribuição é ser quem somos, de forma autêntica e íntegra.
Como afirma a sabedoria ancestral 'matar o mal em ti' – as impurezas, o ego, as projeções narcísicas – para que a integridade se manifeste. Reconheçamos a responsabilidade de tomar nossa 'máscara de oxigênio' primeiro; pois só a partir da própria plenitude poderemos transbordar de forma genuína.
A Alquimia exige auto-observação rigorosa, disciplina e coragem para enfrentar as próprias 'sombras' e imperfeições. É um chamado à autenticidade existencial, à responsabilidade individual pela própria obra. Internalizemos a máxima de que continuar sendo um 'rascunho' perdido na 'miserável condição humana', alimentando o ego e fugindo da verdade ou podemos escolher, AGORA, iniciar a alquimia que transformará o caos em ouro. A escolha sempre foi nossa. Quanto tempo mais procrastinaremos nossa própria vida?
Porque;
Caríssimo leitor, ser um 'rascunho' não é uma falha, mas a condição humana em constante processo de 'alquimia', um convite à auto lapidação contínua. Nossa jornada de transformação é contínua e o conhecimento é a chave para a liberdade. Não existe um ponto final para a Alquimia interior.
Cada novo insight, cada desafio superado, é uma nova camada da nossa obra-prima individual em desdobramento. Abracemos portanto, a imperfeição, celebremos a jornada e continuemos a lapidar nosso Ser. Não somos um produto final, mas uma obra em constante construção. A cada escolha consciente, a cada véu desvelado, lapidamos nossa alma. A jornada é agora, e o universo aguarda nossa mais autêntica manifestação!
E 'Da Janela do seu Olhar';
Você tem se permitido a coragem de olhar para o seu próprio rascunho, sem fugir das suas 'imperfeições'?
Quais 'ilusões' ou 'atalhos mágicos' você tem buscado para materializar seus desejos, em vez de investir na alquimia interior?
Em que medida sua 'miséria humana' pode ser a matéria-prima mais rica para a sua própria obra-prima em constante construção?
Ate breve...
J.L.I Soáres
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quinta-feira, 10 de março de 2022
POR UM MOMENTO EU ME FIZ UM MAR ABERTO PARA TE ENCONTRAR: O Amor é Líquido mesmo...
A Felicidade enquanto "Dure a bateria"
Os chamados "relacionamentos de bolso" na era digital, e sim, eu confesso! Busquei o meu "príncipe encantado" no mar aberto da internet e assim como tirei e coloquei, também fui retirada e guardada nos bolsos da era dos Amores Líquidos! Temos que estar sempre abertos para as novas tendência não é mesmo?! rsrsrs...aquele riso de desespero!
A Promessa Efêmera do encontro perfeito em um mundo hiper conectado, onde a tela do celular se tornou o novo mapa para a busca afetiva, somos convidados a crer na promessa de encontros perfeitos, a um clique de distância. Deslizamos dedos por perfis que parecem espelhos dos nossos desejos mais íntimos, na ânsia de encontrar aquele que nos complete.
Mas, por vezes, essa busca incessante nos leva a um universo de 'relacionamentos de bolso', superficiais, descartáveis, onde a profundidade da alma se perde na efemeridade dos likes e na ilusão de que o amor está sempre 'online'. Se a complexidade nas interações humanas é uma premissa, e se os laços feitos e desfeitos são a constante de nossa jornada, podemos questionar: será que há uma busca insistente no lugar errado?
'DA JANELA DO MEU OLHAR', é nessa jornada que nos lançamos no árido solo emocional, em passos tortuosos, com os pés descalços já machucados e em carne viva. É o queimar da areia em fogo no deserto das conexões de parcos sentimentos se perdem na miragem de um oásis que nunca chega.
A busca pelo outro, sem antes encontrar o próprio oceano interior, que nos condena a um ciclo infindável de desilusão. A dor é real, a ferida é profunda, e a resposta não está na próxima "ilha" a ser conquistada, mas no mergulho corajoso na vastidão do nosso próprio Ser.
Apenas ali, na solitude do auto afrontamento, poderemos desvelar a verdade sobre os laços que realmente valem a pena., muitos de nós carregamos feridas e carências que, inconscientemente, nos impulsionam a buscar o 'príncipe encantado' ou a 'princesa ideal' em terrenos inférteis.
A internet e os aplicativos de namoro, que prometem um 'mar aberto para te encontrar', muitas vezes se revelam um vasto oceano de indisponibilidades afetivas e encontros que raramente ultrapassam a superfície do perfil. A provável ilusão de um grande amor se choca com a realidade de conexões efêmeras, baseadas na imagem, na conveniência, e não na genuína troca entre almas.
É um paradoxo doloroso: quanto mais opções disponíveis, mais difícil parece ser encontrar a profundidade. Tá bom, já até consegui me afundar, apesar de ter entrado no mar com a consciência de não saber nadar! Mas eu entrei! Se entrei!!!! Como eu já lhes afirmei: Gosto de ser pioneira!
Esse atraente menu dos relacionamentos de bolso revela a 'sombra' das nossas próprias carências. O conceitos de projeção, nos alerta - mas nos fingimos de surdos - que, nesse cenário, tendemos a projetar no outro (e no perfil idealizado) aquilo que nos falta, aquilo que não buscamos em nós mesmos.
Buscamos um 'salvador', um 'complemento', em vez de um parceiro para uma união genuína. A descartabilidade das relações digitais – o 'match' que se desfaz com um deslize, a conversa que morre com o silêncio – é um sintoma dessa busca egóica e da incapacidade de sustentar laços que exigem mais do que uma imagem ou uma frase de efeito.
Sigmund Freud, por sua vez, apontaria para os mecanismos de defesa que operam quando a frustração se instala: a tendência a culpar o 'outro' pela ausência de conexão, ou a buscar novas 'migalhas' em um ciclo vicioso de desilusão. É o ego, em sua busca por gratificação imediata, que se anestesia diante da dor da solidão e da complexidade de um relacionamento real.
Zygmunt Bauman, com sua teoria do 'amor líquido', nos oferece uma lente sociológica para compreender essa dinâmica. Na era da fluidez e da superficialidade, as relações se tornam tão descartáveis quanto um produto de consumo. O compromisso é evitado, a profundidade é temida, e a autenticidade se dilui na busca por experiências leves e sem amarras.
O 'encantamento' é efêmero, baseado em projeções e não no reconhecimento do Ser do outro. A promessa de 'um mar aberto para te encontrar' se traduz, muitas vezes, em um oceano de superficialidade onde as carências e feridas mal curadas se retroalimentam em um ciclo de desilusão.
A busca pelo 'príncipe encantado' ou 'princesa ideal' em aplicativos e redes sociais é, frequentemente, a busca por uma fantasia que nos impede de encarar a realidade da nossa própria incompletude e da necessidade de um trabalho interno profundo."
Diante desse 'vasto menu' de relacionamentos de bolso, a coragem não reside em continuar a deslizar por perfis, mas em mergulhar no próprio oceano interior. 'DA JANELA DO MEU OLHAR', a única forma de encontrar um amor que transborde e seja sólido é primeiro reconhecer a própria plenitude, curar as próprias carências e desvelar as próprias sombras (mas quando eu disse que quero limpas as ferrugens do meu transatlântico emocional?).
Caro leitor, sabemos que o autoconhecimento é o nosso bote salva-vidas, e que somente ela nos liberta da busca frenética por um espelho externo que nos valide. Quando nos tornamos o nosso próprio 'mar aberto', o outro não é mais uma 'ilha' a ser conquistada, mas um 'rio' que pode se unir ao nosso fluxo, em uma dança de autenticidade, profundidade e reciprocidade genuína, construída sobre um alicerce de verdade e não de ilusão.
Contudo, é fundamental ir além das estimativas que apontam para a superficialidade. Apesar de o 'menu' dos relacionamentos de bolso tender, por vezes, a resultados efêmeros, há histórias que desafiam essa premissa.
Conheço casais que, no 'mar aberto da internet', ousaram mergulhar e construíram alicerces sólidos, provando que a complexidade das relações não se define apenas pela plataforma de encontro. São como aqueles dispositivos eletrônicos de antigamente que, embora não tão 'modernos' na forma, carregavam em sua essência o propósito para durar, uma bateria que parecia infinita.
Nesses casos, a 'felicidade' não se dissolve com a descarga rápida; ela se constrói na perseverança e na escolha de recarregar o vínculo a cada dia. 'DA JANELA DO MEU OLHAR', até do 'vasto menu' podem surgir banquetes duradouros, desde que a intenção seja de nutrir a alma e não apenas satisfazer um desejo efêmero. A vida, em sua vasta e complexa teia, sempre nos surpreende com a capacidade de transformar o efêmero em eterno, e o rascunho em obra, independentemente do 'local' onde a história começou.
Se eu continuo? Não mais, já desbravei esses mares e entendi que meu transatlântico emocional por mais aventureiro que seja, não é navio de carga e descarga para ficar ancorado neste porto de buscas vazias sem coordenadas claras. PS: Tem muitos trechos apagados na trajetória sem ao menos previsão de um ponto de chegada, meu timão está desviando a rota!!!
Mas, conte - me, 'Da Janela do seu Olhar';
Em sua própria jornada afetiva, você tem se deparado com 'relacionamentos de bolso' ou com a busca pelo 'príncipe encantado' em terrenos inférteis?
Em que medida a tela do seu celular tem sido um mapa para o autoconhecimento ou para a busca por validações efêmeras?
Você tem a coragem de mergulhar no seu próprio oceano interior antes de buscar um 'mar aberto' para te encontrar?
Em sua jornada, você tem sentido a petrificação dos 'elos' ou a busca pela superficialidade que seu próprio 'Manifesto poético' poderia expressar?
Para uma imersão ainda mais visceral nessa jornada e para a crítica à superficialidade que por vezes petrifica os elos, convido você a mergulhar nos versos de 'Elos em Petrificação', um poema que explora a angústia da alma na era dos amores líquidos.
Até breve...
J.L.I Soáres
Propósito
A Jornada Intransferível:
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