segunda-feira, 28 de outubro de 2024
OS ESFORÇOS INÚTEIS POR RESISTIR AO FLUXO
quarta-feira, 16 de outubro de 2024
OS CONHECIDOS DA VIDA PROFISSIONAL - A Anatomia da Ingratidão e a Ironia do Destino
Quando a Esperteza Engole o Próprio Rabo
"Da janela do meu olhar", tenho observado que a linha entre a ingenuidade e a intuição é tênue, quase invisível. Muitas vezes, o que chamamos de "surpresa" diante da traição alheia nada mais é do que a nossa recusa em aceitar o óbvio: o ser humano, em sua sombra, é previsivelmente egoísta.
Já escrevi aqui anteriormente sobre a transição perigosa "Da Individuação ao Individualismo", onde exploro como a busca pelo "eu" se torna, muitas vezes, apenas uma desculpa para passar por cima do "outro". Hoje, trago essa teoria para o chão frio da realidade, para o asfalto da Avenida Paulista e para os bastidores do mercado imobiliário, onde o caráter, ou a falta dele, se revela na disputa por uma comissão.
Recordo-me de uma experiência que foi uma verdadeira aula sobre o silêncio. Havia um corretor novo na imobiliária, recém-chegado. Na época, eu precisava de parceria operacional, não tinha carro para os deslocamentos de captação, e ele precisava do know-how. Parecia a troca justa. Passei minhas "dicas de ouro", entreguei estratégias que levei tempo para construir.
A regra era clara: parceria se registra. Mas ele, em sua "esperteza" silenciosa, omitiu meu nome. Registrou tudo como se fosse fruto exclusivo de seu esforço solitário. E eu? Eu calei.
Admito, meu ego gritou. O ego quer o crédito, quer o tapinha nas costas, quer o reconhecimento da autoria. Mas há uma sabedoria mística em apenas observar. Aprendi que,
"enquanto observas, permite deixar as pessoas serem quem elas são".
Não briguei, não cobrei. Apenas assisti, arquivando aquela informação na pasta "não confie" do meu inconsciente.
Mas a cereja do bolo da natureza humana veio em outra ocasião, em uma outra empresa onde eu era a "onipresente". Dedicada, sedenta por aprender. Indiquei uma pessoa para trabalhar conosco. Erro clássico: a gente abre a porta e, às vezes, quem entra a tranca por dentro.
Essa pessoa criou um laço íntimo com o gestor (o broker). Uma "amizade" de conveniência. E eis que surge uma cliente, uma figura conhecida, de alto padrão. A cliente era minha indicação direta, estava sob meu atendimento. Mas, numa manobra de bastidor, o gestor passou a cliente para essa minha "amiga".
Quando questionei, recebi a desculpa burocrática: "Ah, estava na planilha, você não estava mexendo...". Mentira. Era a preferência pessoal atropelando a ética profissional. Eu olhei nos olhos dele e disse apenas: "Tudo bem. Mas toma cuidado, porque outra pessoa pode não entender o seu movimento como eu estou entendendo."
E foi aí que a "Mão de Deus", ou a justiça poética, se preferirem, entrou em cena. A ganância cega.
Eles estavam tão focados em me excluir da jogada, tão focados em fazer o negócio entre "amigos", que o gestor cometeu a burrice do século: convenceu a cliente a alugar primeiro, para "experimentar", em vez de comprar.
O resultado? Trocaram uma comissão gorda de venda de alto padrão por uma migalha de aluguel. A cliente nunca comprou. A "esperteza" deles custou o banquete. Eu perdi a venda, é verdade, mas eles perderam a dignidade e o dinheiro. Ali, vi o plantio e a colheita em tempo real.
Naquele dia, subi a Rua Brigadeiro Luís Antônio chorando, triste. O sentimento de injustiça queimava. Parei, olhei para a imensidão da Avenida Paulista em direção à Consolação, enxuguei as lágrimas e, num misto de ódio e promessa, profetizei para mim mesma: "Um dia, a Paulista vai ser toda minha. Eu vou mandar nessa p***."*
Foi um desabafo? Foi. Mas o universo não entende ironia, ele entende comando. No ano seguinte, abri minha própria imobiliária, ali mesmo, na Paulista.
Hoje, continuo observando. Fechei-me um pouco em copas, é verdade. A confiança agora é artigo de luxo, e meu portfólio na avenida mais famosa da cidade é a prova de que, embora a gente sangre no caminho, a gente conquista o território.
Eles ficaram com as migalhas da própria traição. Eu fiquei com a vista "Da janela do meu olhar".
E "Da janela do seu olhar?"
Você já teve que assistir, em silêncio, a "esperteza" de alguém engolir o próprio sucesso?
Como você lida com a ingratidão profissional: você cobra o reconhecimento ou senta na calçada para ver o karma passar?
Até breve...
J.L.I Soáres
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terça-feira, 15 de outubro de 2024
INSANO ARBÍTRIO A MORRER COM O PIOR VENENO!
Soneto da IN-Sanidade
O Amor, das doenças o mais destruidor;
Sem remédio ou dose exata, o sentir que mata,
Aos poucos, por querer sem ter ou tendo a prata,
A cada nó que desata, noutro laço há doce sabor.
E no silêncio, a baixar o índice glicêmico,
A cada entrega, um fugaz viver, um amputar,
De partes de nós, eterno e intenso experimentar;
O amargo do doce, na bebida de arsênico.
Sentir cruel, tirano na dor, a cor da ida,
Mas sem ele, o existir não é pleno,
Sanidade? Segundo plano, meia vida.
Mas ao menor aceno, o vício, o desejo, Benzeno,
Pela louca ânsia, na busca do melhor da vida:
Insano arbítrio a morrer com o pior veneno!
Até Breve...
J.L.I Soáres
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quarta-feira, 11 de setembro de 2024
NÃO CULPE A NOITE PELA BELEZA DAS ESTRELAS
Por que perdemos grandes verdades apenas porque não gostamos de quem as diz?
Existe um boicote silencioso que fazemos contra a nossa própria expansão de consciência. É uma armadilha sutil do ego que nos convence de que só podemos aprender com quem admiramos, com quem concordamos ou com quem "vai com a nossa cara".
Chamamos isso de coerência, mas muitas vezes é apenas teimosia.
Quantas vezes você já tapou os ouvidos para uma verdade transformadora simplesmente porque a embalagem não lhe agradava? Quantas vezes descartou um conhecimento vital porque a fonte colidia com as suas crenças ou porque o portador da mensagem não era o "santo" que você idealizava?
Imagine alguém que professa um ódio mortal pela noite. Talvez tenha medo do escuro, talvez não goste do frio ou simplesmente prefira a segurança da luz solar. Por causa dessa aversão, essa pessoa decide fechar as cortinas assim que o sol se põe.
O problema é que, ao fechar a janela para a noite, ela também fecha a janela para as estrelas.
Lá fora, o firmamento está oferecendo um banquete. Há constelações contando histórias milenares, planetas dançando em órbitas perfeitas e uma galáxia inteira brilhando como um rio de diamantes. Mas o nosso observador, preso ao seu preconceito contra a escuridão, perde o espetáculo. Ele se recusa a ver a beleza do brilho só porque não gosta do palco escuro onde ele se apresenta.
Fazemos exatamente isso na vida prática. Deixamos de ouvir uma reflexão pertinente só porque veio de um político de quem discordamos. Ignoramos uma estratégia inteligente só porque foi dita por um colega de trabalho arrogante. Mudamos de canal no meio de uma notícia crucial só porque não suportamos a voz do apresentador. Separemos a letra da melodia!
Isso é infantilidade intelectual.
A sabedoria real exige a capacidade de separar a mensagem do mensageiro. Exige a humildade de garimpar ouro na lama e de reconhecer que uma flor pode, sim, nascer no asfalto. A verdade é um valor em si mesma e ela não perde a validade só porque saiu de uma boca que não beijamos.
O convite de hoje é para que você abra as cortinas. Você não precisa amar a noite, não precisa gostar do frio e nem convidar a escuridão para entrar na sua casa. Mas não cometa a tolice de perder o brilho das estrelas só por birra com o céu.
Qual foi a última vez que você aprendeu algo valioso com alguém que você detesta? Se a resposta for 'nunca', talvez você esteja fechando as cortinas para muitas estrelas.
Até Breve.
J.L.I Soáres
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domingo, 8 de setembro de 2024
QUANDO DECIDI DESCONFIAR, TIVE MILHARES DE RAZÕES PARA ACREDITAR
Caro leitor;
Existe um cansaço sagrado que poucos admitem: a exaustão de tentar manter a fé de pé na base da força bruta. Durante anos, segurei o céu com as mãos, repetindo mantras, fazendo rituais e negociando com o Divino, com medo de que, se eu soltasse, Deus deixaria de existir ou de olhar por mim.
Até que, um dia, os braços cansaram. Em um ato de honestidade brutal, ou talvez de rebeldia espiritual, decidi soltar. Olhei para o teto (ou para o céu vazio) e pensei: "Se existe algo aí em cima, a partir de agora é por conta própria. Eu me demito do cargo de fiscal da providência. Eu me permito duvidar."
Foi nesse momento, quando flertei com o abismo do ceticismo, que a grande ironia cósmica aconteceu.
Parece que o Universo (ou Deus, ou a Consciência Maior) tem um senso de humor peculiar. No instante em que parei de gritar minhas preces e me calei na minha desconfiança, comecei a ouvir. É como se, ao retirar a tensão da "obrigação de crer", eu tivesse finalmente aberto a porta para o "Flow". De repente, sem que eu pedisse, as respostas começaram a cair no meu colo. As sincronicidades ficaram tão óbvias que parecia que uma Mente Superior estava fazendo de propósito, piscando para mim e dizendo: "Achou que estava sozinha só porque parou de falar comigo, é?"
Ao soltar o controle, saí da frequência da Ansiedade (que bloqueia) e entrei na frequência da Receptividade (que permite). A dúvida, paradoxalmente, foi o canal mais limpo que já tive com o sagrado.
As Três Estações da Consciência
Da janela do meu olhar, entendi que transitei por três estágios distintos, e é fundamental diferenciá-los para não confundirmos liberdade com vazio:
O Ateísmo (A Negação): É o estágio do "não". É quando olhamos para a dor do mundo ou para o nosso próprio silêncio e concluímos racionalmente que estamos sós na imensidão. É uma fase válida, pois quebra as ilusões infantis de um "Deus Papai Noel". Eu passei por aqui quando soltei a corda.
A Fé (A Esperança): É o estágio onde a maioria vive. É acreditar sem ver. É segurar-se no dogma ou na promessa de um livro sagrado. É bonito, mas muitas vezes é frágil, pois depende de esforço constante para não desmoronar diante da realidade.
O Gnosticismo (O Conhecimento/Experiência): É aqui que a mágica acontece. O termo "Gnose" vem de conhecimento. O gnóstico não "tem fé" de que o fogo queima; ele sabe porque já colocou a mão. Quando decidi desconfiar e o Universo me respondeu com fatos, eu saí do campo da Fé e entrei no campo da Gnose. Eu não preciso mais fazer força para acreditar em uma Inteligência Superior, porque eu a vi atuar nos detalhes. Eu não creio; eu sei.
Decidir desconfiar foi a minha maior prova de fé. Foi o momento em que disse: "Se Você é real, Você se sustenta sem a minha ajuda". E Ele se sustentou. Hoje, tenho milhares de razões para acreditar, não porque li em algum lugar, mas porque, ao me permitir o vazio, fui preenchida por uma presença que dispensa apresentações.
Às vezes, é preciso virar ateu por um fim de semana para descobrir, na segunda-feira, que Deus estava apenas esperando você calar a boca para te dar bom dia.
A sua fé hoje é baseada no medo de não acreditar (dogma) ou na certeza tranquila de quem já sentiu a resposta na própria pele (experiência)? Você tem coragem de soltar para ver se Deus fica?
Até Breve...
J.L.I Soáres
quinta-feira, 22 de agosto de 2024
Nada é mais atraente do que a AUTOSSUFICIÊNCIA!
REDEFININDO A ROTA, FIRMANDO O CAMINHO
quarta-feira, 21 de agosto de 2024
ETERNOS BUSCADORES E AS MISCELÂNIAS
Propósito
A Jornada Intransferível:
Finitude, soberania e o custo de existir para os outros 'Não pauto minha jornada para que seja palatável aos outros, mas minimamente s...
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